Um tal Gustavo Bebianno escreveu um artigo na Folha de São Paulo de hoje (“Por que Bolsonaro?") em que, numa certa altura, afirma aquilo que é típico do conservadorismo autoritário. Ele diz que nos últimos tempos - ele pensa nos tempos depois que os milicos cairiam fora -, “perdemos o senso de autoridade, de justiça, de trabalho, de limites, de ordem e progresso. Hoje, sofremos com a relativização dos valores sociais, morais e éticos”. Na boa, que papinho.... Eu voto em Kant ou em Schopenhauer, só pra citar dois candidatos que disputarão as eleições presidenciais desse ano, e que têm boas ideias. Eles pensam que não cabe ao Estado preocupações éticas, pois esse monstro teria – e eles estão certos - apenas a função de tornar efetivo o direito. E o direito cuida apenas dos limites das liberdades individuais, das ações independente de suas motivações éticas ou não (se quiserem, na versão do candidato Arthurzinho: que uma vontade não se afirme a ponto de negar outra vontade). Claro que os dois candidatos, Kant e Schopenhauer, não apenas são de partidos diferentes, mas têm programas com alguns detalhes bem dissonantes. Eles, porém, me confidenciaram que certamente estariam juntos no segundo turno contra Bolsonaro. Eu os tranquilizei. Disse: ele não chega lá.
Nota 1: não discuto se esse diagnóstico de nossa moralidade cívica (ui...) está certo ou não. O ponto é a não competência da autoridade política para tratar disso.
Nota 2: direita e esquerda sempre defendem mais Estado. A direita quer mais Estado para cuidar dos comportamentos e costumes em geral. A esquerda, mais Estado para cuidar da economia. (Isso no sentido mais limpo dos conceitos de direita e esquerda. A realidade sempre é mais impura conceitualmente). No fundo, o que eles querem é mais Estado para controlar nossas vidas. A esquerda pensa que a economia não é uma extensão de nossa liberdade comportamental.