11 outubro 2017

Um capítulo bem amargo

“Se tivermos conhecido distintamente de uma vez por todas tanto nossas boas qualidades e poderes quanto nossos defeitos e fraquezas, e os tenhamos fixado segundo nossos fins, renunciando contentes ao inalcançável; então nos livramos da maneira mais segura possível, até onde nossa individualidade o permite, do mais amargo de todos os sofrimentos, estar descontente consigo mesmo, consequência inevitável da ignorância em relação à própria individualidade, ou da falsa opinião sobre si, e presunção daí nascida. Os seguintes versos de Ovídio cabem maravilhosamente no amargo capítulo do recomendado autoconhecimento:

Optimus ille animi vindex laedentia pectus
Vincula qui rupit, dedoluitque semel
[Ajuda melhor a mente aquele que, para sempre,/
Rompe com os laços atormentadores que sufocam o coração]"

Schopenhauer. O mundo, § 55 (Tradução de Jair Barboza. Unesp, 2005, p. 396).