09 setembro 2017
Conversa de bêbado
O senhor Joesley Batista, que parece ter dado uma forcinha pros governos do PT e PMDB (e, claro, recebido uma forcinha deles), usou como alegação de defesa a tese “é conversa de bêbado, não acreditem”. Bah... seu Batista, seu Batista... olha, acho que não funciona muito, seu Batista. O senhor não está se defendendo, seu Batista, o senhor está é confessando o crime. É o que eu penso, porque, quanto a mim, é justamente em conversa de bêbado que eu acredito, ou melhor, acredito que o que ele diz geralmente é que ele acredita ser o caso (por isso eu admiro os bêbados). A sinceridade dos bêbados é algo meio básico, até o seu Miquitinha concorda. O cara bebe umas e fica confessional, vulnerável. Então, vamos todos nós acreditar na sinceridade dos bêbados e dizer pro seu Batista, “olha, seu Batista, conversa de bêbado é conversa perigosa, diz muito, o intelecto prejudicado cede lugar à vontade (bah, lembrei do Schopenhauer, apêndice do Sobre a liberdade da vontade, a tal liberdade do intelecto). Talvez por isso eu goste de companhias que bebem quando eu bebo. Porque daí não sou apenas eu fazendo papel de Joesley Batista. Eu gosto de ter um Ricardinho também, mas não só pra ouvir, pra falar também. Felizmente, sempre que bebo desligo celular, gravadores. No bar que eu vou colocaram, quinta-feira de manhã, detectores de metal. Ninguém mais entra com aparelhos eletrônicos. E parece que, por segurança, o ambiente gera criptografia direta. É verdade que ouvi alguém lá falar, “isso de ambiente gerar criptografia não existe”, no que foi rapidamente censurado por um outro cara com “pow, se a gente acreditar existe”. Eu acreditei. Maravilha.
