Diletante leitor: Meio paradas. Estou tentando escrever alguma coisa a partir da ideia de que nem o Sol nem a morte podem ser olhados fixamente por muito tempo.
Sábio estudante de filosofia: Em qual autor?
Diletante leitor: Como assim, em qual autor?
Sábio estudante de filosofia: Qual filósofo você vai analisar?
Diletante leitor: Você não entendeu? Eu vou tentar escrever algo sobre a morte. Vou tomar como inspiração, para pensar esse problema, a tese da incapacidade de olharmos fixamente para algo por muito tempo.
Sábio estudante de filosofia: Isso eu entendi. O que quero saber é qual tua bibliografia, ou mais exatamente qual filosofo usará de apoio. A propósito, essa ideia inspiradora precisa ser abonada. Você sabe quem a formulou?
Diletante leitor: Certamente li em algum livro ou escutei de alguém, ou vi na internet. Sei lá. Isso não tem importância para mim.
Sábio estudante de filosofia: Eu entendo. Por isso, vou repetir meu conselho. Faça um curso de filosofia. Além de você aprender a fazer citações corretamente, você não correrá o risco de dizer o que os outros já disseram.
Diletante leitor: Cara, mas qual o problema de dizer o que os outros já disseram? E que se fodam citações corretamente feitas.
Sábio estudante de filosofia: Ui... Calma boneca. Diga-me então onde vai publicar o que você escreve? Nenhuma revista irá publicar teus escritos?
Diletante leitor: Mas, meu camaradinha, alguém falou em revista aqui antes de você?
Sábio estudante de filosofia: Eu entendo essas reações tuas. Só queria te dar um toque, te ajudar. É que eu conheço os modos de se fazer filosofia e gostaria sinceramente de ver as pessoas reconhecendo teu belíssimo trabalho.
Diletante leitor: Meu, você nem consegue produzir boas tiradas irônicas. Eu estou tão preocupado com a academia e os seus modos de fazer filosofia quanto Sócrates estava preocupado com as regras da ABNT.
Sábio estudante de filosofia: Você anda bem agressivo ultimamente.