27 março 2014

Kant contra Rawls. Kant melhor que Rawls

Notas preliminares para uma possível crítica à teoria da justiça como equidade de Rawls a partir da filosofia jurídica de Kant

Artigo na Kant e-Prints. Campinas, Série 2, v. 8, n. 1, p.24-39 jan.– jun., 2013

Resumo: Nesse artigo, eu procuro discutir se Rawls oferece uma justificação mais sólida que a de Kant sobre os princípios políticos e jurídicos que temos de evocar ao julgar a sociabilidade humana. Tento demonstrar que a concepção liberal de Kant sobre a justiça (liberal no sentido clássico) proporciona um mais sólido fundamento para a defesa da liberdade dos indivíduos e, por conseguinte, para a legitimidade do poder político do que a teoria de Rawls. link para o artigo


Ok, Kant melhor que Rawls, mas bom leitor de Kant melhor que Kant

Não só pelo fato de que Kant não é o melhor, longe disso, mas porque um pouco de inspiração e ousadia visionária podem facilmente conduzir (será facilmente?) à percepção de que Kant se atrapalha bastante sobre como pensar a compatibilidade da máxima liberdade possível dos indivíduos.  Nem falo aqui na ladainha de ler Kant com cuidado e outras insípidas exortações dos historiadores da filosofia. Um computador também poderia fazer esse serviço, o CHF, o Computador Historiador da Filosofia - talvez ela possa fazer melhor até mesmo na ousadia e irreverência a que me referi antes (menos provável presumo).

Melhor aqui significa não que o leitor é mais genial que Kant,  apenas que pode ver melhor que Kant algum pedaço do universo que Kant poderia ter visto, mas não viu.  
Isso que acabei de dizer precisa ser interpretado à luz da máxima consignada no Blog do Marcos Rodrigues: tentar lançar luz em algum assunto, sem se preocupar com maiores fundamentações (é isso que meu blog quer ser, nisso sigo mais uma vez Marcos Rodrigues). Portanto, isso vale para o meu comentário Mas bom leitor de Kant melhor que Kant. O artigo sobre Kant e Rawls na Kant e-Prints é outra conversa.

O engraçado em toda essa historinha é que há pessoas que torcem seus lindos e adoráveis órgãos olfativos quando simplesmente se afirma que um autor é melhor que outro. São os adeptos da incomensurabilidade entre teorias filosóficas, algo pouco praticado pelos chamados grandes filósofos, e nesse caso prefiro a companhia dos grandes do que dos burocratazinhos (será que existem essas pessoas, ou eu estou duelando com fantasmas?). Talvez seja mais herético ainda dizer que o leitor pode ser melhor que o gigante, olímpico, divino autor da clássica obra XYZ. E todo mundo quer fazer pose de leitor não religioso das obras dos "seus" autores. "Seus autores", "meu autor". Percebem como isso é ridículo?

2 comentários:

Vanderson disse...

Olá professor Aguinaldo,

Não sou um pesquisador de John Rawls
mas penso que, sob um ponto de vista textual, haja talvez alguma concordância entre o direito público de Kant e a teoria de justiça social de Rawls. Pois Kant afirma em sua metafisica dos costumes que o Estado tem direito de cobrar impostos dos ricos para ajudar os membros menos favorecidos da sociedade, dado que os primeiros não seriam capazes de acumular toda sua riqueza sem a constante proteção do Estado.
Assim, penso que o direito natural de Kant, nesse único aspecto particular, é tão oposto à teoria de justiça de Rawls quanto o é em relação ao direito público do próprio Kant.

Obrigado

Até mais

Aguinaldo Pavão disse...

Excelente, Vanderson. O direito privado em Kant, e ainda mais especialmente o princípio do direito (conforme formulado na introdução à DD), não parece convergir com seu direito público.
Não iria tão longe como você ao ver muita semelhança entre a justificação prudencial da ajuda aos pobres em Kant com o principio de diferença de Rawls, mas isso mereceria uma discussão que o blog não merece.
Obrigado pelo comentário.
Abraço.