Tem um professor que escreve na Folha de São Paulo que admiro muito. Em geral dá boas estocadas nos babacas esquerdistas. Ele também é um babaca. Eu também sou um babaca. Não vou dizer que todos somos babacas. Não, jamais diria isso, pois respeito muito a opinião que você, caríssimo leitor, tem de si mesmo.
E nem é sobre babaquice que quero falar. Como diria o Marcos Rodrigues, é sobre outra coisa. Mas acho que não é bem sobre outra coisa. Ou é? O Pondé fala hoje sobre os recentes acontecimentos na vida da querida pátria amada idolatrada, salve salve (“Hobbes nas ruas”. FSP, 17/02/2014). Eu mesmo já fiz algo parecido. Escrevi um memorável artigo na Folha de Londrina, em 17/04/2003, chamado “Hobbes em Bagdá” (todos os meus textos se tornaram há algumas semanas memoráveis).
O texto que escrevei é uma lástima. Cometi o mesmo erro de Pondé, mas acho que não cheguei a tanto, quero dizer, não me lembro de ter dito como se fosse uma verdade cristalina essa pérola: “Só o Estado detém o monopólio legítimo da violência.” Ora, ora, ora, meu professor. “Legítimo”? Quem disse? Onde está escrito isso? Em alguma Bíblia? Max Weber e blábláblá. Eu nego. Nego qualquer legitimidade a esse tal "legítimo" monopólio da violência que o estado deteria. O problema – eu vou contar pra vocês - é o seguinte. Eu o chamarei de o preconceito hobbesiano: ou o estado de natureza como estado de guerra, ou o estado civil, cujos atos seriam autorizados, vejam bem, autorizados por nós, suditozinhos, que livremente teríamos feito um contrato para que ele, o poderoso Leviatã, decidisse os meios para garantir a paz social (e ele, claro, fora do contrato - preciso dizer isso para ganhar um pontinho dos historiadores da filosofia).
Nem preciso de Locke, muito mais próximo da esplendorosa verdade, para dizer que essa disjunção é falsa. O Pondé e tantos outros que ele critica gostam de preto no branco, de 8 ou 80. Hobbes ou Rousseau. Nem um dos dois. Vade retro.
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