Apenas Sócrates [em comparação com Buda, Confúcio e Cristo] ensinava
que o pior mal que alguém pode padecer é odiar o discurso razoável (Jaspers).
Não sei se há exatidão no que Jaspers disse – isso não me
preocupa. Interesso-me com a ideia em linhas gerais. Talvez não se trate do
pior dos males (não, não é o pior dos males), mas certamente é um dos grandes males.
É um mal que não causa comiseração (a pessoa padece dele, oh, a coitadinha), mas repugnância.
É abominável perceber um camaradinha apelar para discursos típicos de fanáticos
quando alguém o provoca com argumentos.
E imaginem a aliança, possivelmente analítica, entre índole ao fanatismo e mau humor. Bah, aí é dose pra mamute. Mas não vamos levar isso muito a sério, claro. É preciso olhar com um pouquinho de atenção e verificar o ridículo nisso tudo, inclusive no que eu acabei de escrever. Mas o jogo, às claras, do escárnio e da zombaria é sempre um bom jogo. Viva a séria falta de seriedade para consigo mesmo.
E imaginem a aliança, possivelmente analítica, entre índole ao fanatismo e mau humor. Bah, aí é dose pra mamute. Mas não vamos levar isso muito a sério, claro. É preciso olhar com um pouquinho de atenção e verificar o ridículo nisso tudo, inclusive no que eu acabei de escrever. Mas o jogo, às claras, do escárnio e da zombaria é sempre um bom jogo. Viva a séria falta de seriedade para consigo mesmo.
7 comentários:
Aguinaldo Pavão - Daniel Omar Perez, eis alguém com quem sempre tive o prazer intelectual das estocadas irônicas, da zombaria e também, sim, também, dos bons argumentos.
36 minutes ago · Like · 1
Daniel Omar Perez - a parte dos bons argumentos foram pela tua conta.
25 minutes ago · Like
Aguinaldo Pavão - Sim, pode por na minha conta. A modéstia de um argentino é sempre bem-vinda.
a few seconds ago · Like · 1
Aguinaldo Pavão - Dos que apareceram por aqui até agora, não posso esquecer Andrea Faggion, que é titular no mesmo time em que coloquei Daniel Omar Perez.
36 minutes ago · Like · 1
Andrea Faggion - haha vc é o capitão desse time, meu caríssimo amigo
35 minutes ago · Unlike · 1
Aguinaldo Pavão - Boa, Andrea, o capitão geralmente não é o craque do time. Ele vai mais no "carrinho", estilo Dunga 1990.
25 minutes ago · Edited · Like · 1
Aguinaldo Pavão - Marcelo A. Rissatto, Andrea Cachel.
22 minutes ago · Edited · Like
Andrea Faggion Ahaha desculpa, então vc é o centro-avante
6 minutes ago via mobile · Unlike · 1
Andrea Cachel - Eu já fico satisfeita em ser expectadora de alguns jogos desse time!
4 minutes ago · Unlike · 1
Aguinaldo Pavão - Andrea Cachel, é, é, tá bom ... Eu já senti muito bem o teu lado esgrimista.
2 minutes ago · Like
Andrea Cachel Mas sou muito fã de um bom jogo de futebol. E gosto mesmo do "futebol arte" e não propriamente do futebol de resultados. Concordo com vc: muitos se enfurecem com argumentos, mesmo quando se dizem dispostos ao debate. Como jogadores que se ofendem com um drible....
3 minutes ago · Unlike · 1
Aguinaldo Pavão - Andrea Cachel,disse tudo! Agora vou praticar meu voto de silêncio (provisório).
about a minute ago · Like · 1
Aguinaldo, dá uma vontade louca de perguntar para qual endereço a mensagem foi enviada.
Silvino, a mensagem foi enviada para a residência dos que empunham bandeiras, dos paladinos das grandes causas humanitárias, ou mesmo não antropocêntricas. O destinatário (imaginário) não é aquele que se inflama por causa de um ponto, talvez chegando até a ficar colérico e espumar. Eu estava pensando em quem acredita religiosamente (isto é, sem nenhum humor cético) em suas posições políticas ou éticas. Abraço
Eu conheço e respeito alguns paladinos das boas causas. Onde estaria o fanatismo em acreditar em algo e defender?
Eu também conheço e respeito pessoas que acalentam nobres ideais e não deixam de ser tolerantes e bem-humoradas. O fanático é cego e, sobretudo, excessivo em sua paixão pelo que entende como “virtude”. Talvez Montaigne não tenha errado quando escreveu:
“Como se tivéssemos infeccioso o tato, ocorre-nos corromper, se as manusearmos em excesso, as coisas que, em si, são belas e boas. A virtude pode tornar-se vício se ao seu exercício nos dedicarmos com demasiada avidez e violência. E jogam com as palavras os que dizem não haver excesso na virtude porque não há virtude onde há excesso: “Não é sábio o sábio, nem justo o justo, se seu amor à virtude é exagerado” (Horácio). Trata-se de uma sutileza filosófica. Pode-se dedicar imoderado amor à virtude e ser excessivo em uma causa justa. [...] Aprecio os caracteres moderados e prudentes: ultrapassar a medida, ainda que no sentido do bem, é coisa que me espanta, se não me incomoda, e a que não sei como chamar. Mais estranha do que justa se me afigura a conduta da mãe de Pausânias, que foi a primeira a denunciá-lo e a contribuir com a primeira pedra para a morte do filho; nem tampouco aprovo a atitude do ditador Postúmio, mandando matar o filho que, no entusiasmo da mocidade, saíra das fileiras para atacar o inimigo, com felicidade, aliás. Não me sinto propenso nem a aconselhar nem a imitar tão bárbara virtude. Falha o arqueiro que ultrapassa o alvo, da mesma maneira que aquele que não o alcança. Minha vista se perturba se de repente enfrenta uma luz violenta, quando então vejo tão pouco como na mais profunda escuridão”.
Importa não brandir tão bárbara virtude . É só isso, meu caro, nada além disso. E tenho dúvidas sérias se Montaigne está certo, mas subscrevo sua intenção ao compor essas linhas.
Valeu, beleza.
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