Cornélio Nepos - Sinto.
Duque de Moscóvia – Mas geralmente não percebo
você fazendo isso.
Cornélio Nepos – É que eu sou o próprio
exemplo da pessoa ridícula, então falo dando o exemplo de como ser ridículo é,
digamos, ridículo. Mas também curto falar mal dos outros. Na verdade, é o que
eu mais faço, especialmente em mesas de bar.
Duque de Moscóvia – Ah é? Eu estou
farto de tanta superficialidade no mundo.
Cornélio Nepos - Oh .... Mas é assim que
caminha a humanidade, meu caro Duque. Não acha?
Duque de Moscóvia – Sei lá como caminha
a humanidade. É que é tanta falta de bom senso, de pudor com a vida privada,
tanta babaquice de dondoquinhas com seus sapatinhos e fotos burlescas nas
festinhas que celebram a futilidade de suas pobres existências .... Aff, isso
me embrulha o estômago.
Cornélio Nepos - Você está muito
sensível.
Duque de Moscóvia – É, eu sou sensível.
Esse é um dos problemas da humanidade, as pessoas perderam a sensibilidade. Há coisas
mais importantes na vida, meu Deus! Que vida essas pessoas levam? O importante é
o que a pessoa é, não o que a pessoa tem.
Cornélio Nepos – Errado.
Duque de Moscóvia – Errado você. Nem
discuto isso.
Cornélio Nepos - Bom contra-argumento, mui estimado Duque! Eu acho que cada um tem o direito de levar a vida que quiser, que
bem entender. Essa é uma das minhas principais bandeiras (talvez, a primeira; acho que a segunda é
a do Inter). Só uma curiosidade, me dê um exemplo, eu só te peço um, de algo
importante na vida?
Duque de Moscóvia – Por exemplo, a
situação política do país. O crescimento da homofobia, o escândalo de termos um
Marco Feliciano na CDHM. Isso sim é importante, não a cor e marca do sapato.
Cornélio Nepos - Esse é o teu exemplo?
Ok. Mas, veja, as pessoas não param de falar sobre isso. E você não acha que é
um direito humano, como tal inalienável, exibir o novo sapato numa foto no FB? E
a marca do sapato é crucial. Você não entende nada de sapatos, mesmo.
Duque de Moscóvia – Você está de
brincadeira? O que isso tem a ver com direitos humanos?
Cornélio Nepos - Você não consegue
perceber? Como eu entendo, a ideia de direitos humanos implica a prerrogativa
para o exercício da liberdade e uso da coerção contra quem antepõe obstáculos a
esse exercício. Os tão aclamados direitos de livre opinião, de ir e vir, de consciência,
de religião, comportamental e outros se justificam, na minha visão, porque se
estribam na ideia de que não redundam em obstáculos à liberdade alheia. Assim,
ser superficial, vulgar, babaca, ridículo, limitado e só fazer uso de dez por
cento de sua cabeça animal, tudo isso são direitos humanos.
Duque de Moscóvia - Nossa, você abaixou
o nível. Temos de pensar nas minorias, nos direitos sociais, em lutar contra os
conservadores.
Cornélio Nepos - Por quê?
Duque de Moscóvia – Porque é isso que
significa direitos humanos.
Cornélio Nepos – Isso aí que você falou?
Quem te disse que é isso? Qual a tua bibliografia? Meio pobrezinha, hein. Ah,
esqueci: defender direitos humanos significa também defender o direito de as
pessoas falarem o que pensam, seja contra comportamentos homossexuais, seja
contra negros. Sob esse aspecto, eu
estou do lado de Marco Feliciano e não dos que querem a sua cabeça.
Duque de Moscóvia – Não, não, aí não dá.
É melhor exibir o novo vestido no Facebook do que pensar essa barbaridade.
Abaixo o preconceito, abaixo o preconceito.
Cornélio Nepos – Para com essa criancice
de abaixo isso, abaixo aquilo. Recomendo uma leitura edificante para você:
Um comentário:
bem ohorizonte da justiça determina o caminho que a humaninada vai tomar em termos psicológicos, uma onda que tem um futuro caótico porém organizado. ao decorrer do tempo, pequenas perturbações podem influenciar em escalas diferentes... no tocante ao imaterial, a força aplicada a um rosto, poderia reconfigurar matéria física, abstrata talvez,... se excedi, por assim estar no campo da moral, restaria um debate já finalizado na minha concepção.... .
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