Deus nao faz diferença
A FOLHA DE LONDRINA publicou no último dia 3 a entrevista com o presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Daniel Sottomaior - ''Acreditar em Deus faz diferença?'' (Opinião, pág. 3). Na entrevista, o líder dessa entidade defende a campanha publicitária em defesa da independência entre moralidade e religião. Se os crentes têm o direito de divulgarem em outdoors dizeres bíblicos sobre o céu, o inferno, a felicidade, o bem e o mal, por que os ateus não teriam também o direito de fazerem propaganda de suas convicções?
Ideias não precisam ser protegidas.
Gostei de uma frase: ''Ideias não têm direitos e não precisam e não devem ser protegidas''. Estou absolutamente de acordo com esse ponto de vista. Ora, religiões são corpos doutrinários, isto é, são compostas basicamente de ideias acerca do universo, da vida, da morte, do bem e do mal.
Gostaria de reforçar a tese de que crença em Deus e a moralidade são coisas que podem perfeitamente ser pensadas de modo independente. Uma pessoa deve ser considerada moralmente melhor por acreditar em Deus? É digno de espanto ler declarações de líderes religiosos desqualificando moralmente pessoas que não professam qualquer fé em Deus. Como se os crentes em Deus merecessem, por isso apenas, algum louvor especial. Mas talvez não seja bem isso que padres e pastores pensam. Talvez eles pensem que a crença em Deus seja uma condição necessária, mas não suficiente, para a bondade moral. Entretanto, o fato é que crer em Deus não é nem uma condição necessária nem suficiente para ser bom. Posso acreditar em Deus e ser mau - algo que padres e pastores poderiam concordar. Todavia, também posso não acreditar em Deus e ser bom, algo que parece ser admitido com relutância ou simplesmente não ser admitido.
Um descrente pode ser entendido como alguém que comete um pecado intelectual, ou seja, ele erraria ao afirmar sua descrença em Deus. Esse erro diz respeito ao conhecimento do mundo, não se refere necessariamente ao conhecimento sobre o certo e o errado nas ações humanas.
Em outras palavras, não há mérito moral algum em acreditar em Deus. Talvez se possa conceder algum mérito intelectual, ou seja, se Deus existir a crença em Deus será verdadeira. Se admitirmos isso, uma campanha que queira nos convencer que pessoas ateias e agnósticas não são moralmente más parecerá ociosa. Talvez ela só tenha sentido se dirigida a um número, que suponho muito pequeno, de crentes (incluindo lamentavelmente líderes religiosos) que acalentam uma visão equivocada sobre a relação entre Deus e moralidade.
Para muitos, Deus e religião são coisas sagradas. Para outros, e eu me incluo nesse grupo, Deus e religião são meros produtos humanos e, como tais, não trazem consigo nada de sagrado que possa justificar a cobrança de atitudes de reverência.
É importante salientar que padres, pastores, bispos, arcebispos e lideranças religiosas em geral não pregam apenas para seus fiéis. Com efeito, se eles pensam que há algo que é objetivamente certo e errado em termos morais, então eles se dirigem a todos os seres humanos. Sendo assim, eles não podem se furtar à crítica e ao debate caso não queiram ser acusados de proselitismo dogmático. Está errada, pois, a opinião de que os ateus e agnósticos não têm razão para se incomodar com o que dizem os líderes religiosos.
* Artigo pubicado na Folha de Londrina de 17 de janeiro de 2011.
A educação como mercadoria
20 horas atrás

9 comentários:
Folha de Londrina
20/01/2011
CARTAS
Dubiedade
As considerações do professor Aguinaldo Pavão no artigo ‘‘Ideias não precisam ser protegidas’’ (Espaço Aberto, 17/o1) são no mínimo incongruentes. Conhecer a Deus, na sua essência, só nos leva para o caminho do bem. Aquele que foi apresentado ao Senhor e não trilhou o caminho do bem, com certeza não entendeu na plenitude o que a Palavra quer nos dizer. Para negarmos a benignidade de Deus, é necessário que a Ele sejamos apresentado e tomemos conhecimento de sua doutrina. Como podemos afirmar que um doce é ruim, simplesmente por presunção, sem que nunca o tenhamos experimentado.
EDSON MEDARDO SCARCHETTI (bacharel em Teologia) - Londrina
Acredito que todas ideias não precisam ser protegidas, são como produtos em um supermercado. Os cristãos(coca-cola) não precisa esconder as tubaínas(ateus) nas prateleiras. Fica a critério do cliente escolher entre um e outro. Esta coisa de misturar bem, mal e Deus. É muito complicado, porque as situações reais que envolve as ações humanas não sustentam as teses desta relação entre Deus, mal e o bem.
att.
JULIO C.
HUMILDADE INTELECTUAL
A consistência do referencial de sentido que prioriza o diferente em substituição ao superior ou inferior está ratificada neste artigo. A religião católica já se apresentou como superior em relação a outras religiões, hoje aceita-se a idéia de diferente. A raça branca se apresentava como raça superior a raça negra ou indígena, hoje....
Israel.
A meu ver, é perfeitamente coerente e em nada agride o princípio moral da propriedade, ser arrogante e considerar suas ideias superiores às ideias dos outros. Eu acho que o cristianismo representa uma concepção moral deficiente, pois introduz nefastamente elementos heterônomos no que, por natureza, tem de ser autônomo. Pode ser que essa seja apenas a forma historicamente hegemônica do cristianismo. Talvez seja possível atribuir um papel diferente a Deus. Eu assumo que minha compreensão laica da moralidade é superior ao cristianismo, não apenas diferente. Da mesma forma eu diria que o cristianismo é moralmente superior ao islamismo (veja o caso das mulheres). O ponto, assim, está no respeito à liberdade individual, isto é, à liberdade deste e daquele indivíduo, não às ideias que eles professam. Tal posicionamento não requer humildade intelectual.
Nunca entendi porque aqueles que crêem se julgam proprietários da moral... Não há de ser por currículo, quero dizer, por exemplos históricos... Também nunca entendi essa obsessão dos cristãos em querer converter todo mundo... Cada um que escreva no outdoor o que quiser - quem não gostar não precisa comprar... Se os ateus querem divulgar sua fé (ou falta de fé), qual o problema? Aqueles com uma fé diferente correm que risco com isso?
oi Eliza tudo bem?lembra de mim?
eu acho que é por causa daquilo que é pregado pela propria religião cristã, ja vi sendo dito na igreja alguma coisa como "só os cristão serão salvos".
por isso, acho que aqueles que acreditam verdadeiramente na salvação se veem no dever de levar essa salvação para os que não são cristãos, convertendo esses.
Ideia não precisa ser protegida, é verdade. Deus também não precisa de proteção. Ele simplesmente é Deus, o fato de ter alguem que não crê nEle, não muda o fato de Sua existência. a existência de Deus não está baseado no que cremos mas no que ELE de fato é, crendo ou não. O Sl 19:1, diz os céus anunciam a glória de Deus e o firmamento as obras de Suas mãos... Sabe o que mais me intriga, é que as pessoas acreditam fácil demais. Acreditam e desacreditar e acreditam e acreditar. Sem exame do conteúdo. Mostram-se racionais e itelectuais de maneira empírica, ou seja, simplesmente escolhem crer ou não crer pelo fato de ter examinado fatos a partir de seu próprio conhecimento ou experiência, eu também já fui assim ... até que um dia adquiri os livros mais intrigantes de nossa época,como Alcorão, Os Ev. de Kardec, Tradução do Novo Mundo, Livro de Mormons ... a Bíblia etc. Após ter examinado todos eles. EXAMINADO TODOS ELES, cheguei a uma conclusão racional-empírica, que a Bíblia tem razão. Hoje a leio direto da língua original, e cada vez fico mais supreso. Quem é que Protege a Bíblia? Ninguém? Quem é o doono dela? Deus. Como pode um livros subistir milênios e cada vez mais moderno? veja os diversos formatos e temas de todas as Bíblias, preste atenção nisto. Ela é de Pedro? Não, se fosse, já havia se perdido.Deus é responsável pela Sua própria Palavra, e por isso Ele a sustenta. Eu dou graças ao meu bom Deus, que a Bíblia não é um livro ci6entifico , porque se assim fora, já estaria obsoleta a centenas de anos. A Bíblia é a Palavra de Deus e não precisa ser protegida, Ela tem atravessado gerações e cada vez mais entendida.É o livro mais vendido do mundo, mais criticado, mais lido, antigo, porém atualizadíssimo, como pode um livros ter tanta autoridade. Tem resgatado todos os tipos de pessoas, pelo lado empírico temos visto, que milhares de vidas tem sido transformada pelo poder do Livro Sagrado que é a ideia de Deus. Qualquer pessoa que queira combatê-la, reduzir Deus as suas filosofias, primeiro deve consultar a Bíblia e apresentar argumentações sólidas e contextualizadas, para isso estou pronto para apresentar a RAZÃO DE MINHA FÉ... Creio porque examinei e continuo examinando. chavões sobre contradições etc. são apenas "disk disk" de pessoas preguiçosas e maldosas, que vai pela cabeça dos outros...
A respeito das considerações sobre o ateismo, acredito que idéiasdevem ser espostas, sejam elas quais forem. É claro que no que diz resleito a religião e politica, há uma reclusão quase que obrigatória, já que andam de mãos dadas. Essa idéia só reforça a teoria de que somos livres até certo ponto, ou seja, continuamos sendo meros fantoches, não só no campo religioso, como em diversos outros segmentos da sociedade, essa mesma sociedade que prega o moralismo.
Prezado Pastor
Seria possível o senhor apresentar concisamente o argumento que prova a existência de Deus?
O senhor recorre à Bíblia. Por que eu deveria acreditar na Bíblia? Ou o senhor acha que o fato de cada um acreditar no que quiser significa que todos têm boas razões para acreditar no que acreditam? Certamente, não. Certamente, o senhor acredita ter boas razoes para acreditar em Deus e na Bíblia. Mas, por piedade, diga-me claramente quais são elas, tanto para acreditar na Bíblia como para acreditar em Deus (porque o senhor deve saber que são duas coisas diferentes).
Como alguém pode afirmar que a existência de Deus não depende da crença na existência de Deus? Acho que deve ser algo análogo à afirmação: a existência de Saturno não depende da crença na existência de Saturno. É isso? Mas eu quero saber como o senhor prova a existência de Deus. Dizer que Deus existe, ora isso é apenas uma declaração verbal, Pastor.
Como é que o senhor sabe que a Bíblia é palavra de Deus? E se eu achar que não é, que argumentos o senhor dispõe? Argumentos, não exortações e proselitismo.
O senhor erra feio ao pensar que a refutação dos argumentos em favor da existência de Deus tem necessariamente algo a ver com a Bíblia. Não, pastor. Os proponentes de argumentos em favor da existência de Deus, felizmente, dispensam a fé na hora que argumentam. Dispense a sua também.
E sem essa de pessoas maldosas e preguiçosas. O senhor, como pastor, deve ser um homem de boa vontade, piedoso. Não faça isso. Por acaso conhece todas as pessoas que rejeitam a autoridade da Bíblia e não crêem em Deus. Certamente, não. Então qual a base para fazer tais acusações?
De todo modo, gostaria de agradecer a sua visita nesse blog e seu comentário.
Gostaria, sinceramente, de saber o que senhor tem a dizer sobre meu comentário ao seu comentário. Preciso, porém, advertir que o tom de hostilidade entre quem crê e quem não crê não tem lugar nesse blog. Apresentações de argumentos serão sempre bem-vindas. Sem acusações e proselitismo, por favor.
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