16 Setembro 2010

Eu amo dicotomias

A sra é favorável à descriminalização das drogas, especialmente à descriminalização da maconha? Se eleita, pretende intervir para alterar a legislação nesse sentido?

Marina – Insisto no argumento de que falta informação. Temos que ter mais informação, mais debate, mais convergência para podermos encontrar o caminho. As pessoas que advogam a posição da descriminalização também são sérias e não estão fazendo um discurso da apologia às drogas. E pessoas com embasamento técnico, numa série de outras informações e com um outro olhar têm uma posição contrária. Então nós precisamos aprofundar esse debate para que possamos ter uma saída. Se esse debate for apenas dicotomizado em quem é contra e quem é a favor, nós não vamos encontrar solução. Continuar como está não é a solução. Descriminalizar, sem o acolhimento, o atendimento, o tratamento, também não é a solução. Então vamos buscar os meios conjuntamente. Essa é a minha posição e eu também advogo em favor de um plebiscito.

Folha de S. Paulo - 07/05/2010
http://www.minhamarina.org.br/perguntas_frequentes/drogas.php

A senhora Marina Silva já ponderou se a sociedade ou o Estado tem o direito de impedir que o indivíduo introduza no seu corpo a substância que ele bem desejar? Terá ela já pensado sobre isso? Certamente sim, tão boa candidata é. Já pensou, não é? E chegou a qual conclusão? Que o Estado tem esse direito. Apenas não sabe se seria geradora de melhores consequências a chamada descriminalização. Ela é uma consequencialista sobre a legitimidade da coerção externa. Estou interpretando bem a candidata? Nisso ela não se distingue dos outros miseráveis candidatos (na verdade, no essencial eles não se distinguem). Essa turminha do “não é um problema moral” causa-me mal-estar estomacal. Acredita que plebiscito dá legitimidade a uma lei que diz: tu não deves fumar maconha, tu não deves cheirar, tu não deves beber, tu não deves praticar aborto. Mas o corpo é propriedade de quem, oh ilustre senhora? Da sociedade? Do Estado? Não, o meu corpo é minha propriedade.

* perceberam que ela quer um debate sobre a legitimidade de uma lei sobre consumo e comércio de drogas que não seja dicotomizado? Ela também faz parte da turma “eu sou contra dicotomias”. Ora, ora, ora. Dicotomizou, Marina, dicotomizou (os que são a favor de dicotomias e os que são contra). Mas que baahhr...

3 comentários:

Nayara MRR disse...

"tu não deves fumar maconha, tu não deves cheirar, tu não deves beber, tu não deves praticar aborto."

O Estado sempre acaba com as nossas alegrias haha.
Hm, que estranho teres falado desse assunto em sala hoje e eu lê-lo aqui.

(A propósito, acho a palavra DICOTOMIA linda!)

Anônimo disse...

Professor existe um limite sobre o direito que o individuo tem sobre si?

att.
JULIO CESAR

Aguinaldo Pavão disse...

Oi Julio César.
A meu ver, o direito à autopropriedade é absoluto. Na verdade, considero que todos os direitos morais são absolutos.
Abraço.