06 junho 2010

Poesia antipoética cartesiana

Dos suspiros

A causa dos suspiros é muito diferente da causa das lágrimas, embora pressuponham, como essas, a tristeza; pois, ao passo que somos incitados a chorar quando os pulmões estão cheios de sangue, somos incitados a suspirar quando se acham quase vazios, e quando alguma imaginação de esperança ou alegria abre o orifício da artéria venosa, que a tristeza espreitara, porque então, caindo o pouco sangue que resta nos pulmões de repente no lado esquerdo do coração por essa artéria venosa, e sendo para aí impelido pelo desejo de alcançar esta alegria, o qual agita ao mesmo tempo todos os músculos do diafragma e do peito, o ar é impelido prontamente pela boca para os pulmões, a fim de preencher nele o lugar deixado por esse sangue; e é isso que se chama suspiro.

(Descartes. As paixões da alma).

2 comentários:

Gilvana disse...

“Pois cumpre notar que o principal efeito de todas as paixões nos homens é que incitam e dispõe a sua alma a querer as coisas para as quais elas lhe preparam os corpos; de sorte que o sentimento de medo incita a fugir, o da audácia a querer combater, e assim por diante” (Descartes)

Iara Fagundes disse...

Professor, descobri essa citação na Internet. Achei legal.
“Quando o primeiro contato com algum objeto nos surpreende, e quando nós o julgamos novo, ou muito diferente do que até então conhecíamos ou do que suponhamos que deveria ser, isso nos leva a admirá-lo e a nos espantarmos com ele; e, como isso pode acontecer antes de sabermos de algum modo se esse objeto nos é conveniente ou não, perece-me que a admiração é a primeira de todas as paixões; e ela não tem contrário, portanto, se o objeto que se apresenta nada tem em si que nos surpreenda, não somos de maneira nenhuma afetados por ele e nós o consideramos sem paixão.” (Art. 53)