19 maio 2010

A técnica Ludovico

Fui gentilmente convidado pelo prof. Gabriel Bertin e pelo Anthony Tannus Wright a participar de um evento na PUC sobre Direito e Cinema. Fiz alguns comentários sobre a película Laranja Mecânica. Abaixo um dos pontos que gerou discussão.


Alex (A)– O que acha de me inscrever nesse novo tratamento?
Padre (P) – Presumo que esteja se referindo à técnica Ludovico.
A – Não sei qual o nome. Só sei que tira o cara daqui rápido e garante que ele não volta mais.
P – Isso não foi provado, 655321. De fato, a técnica está em fase experimental, neste momento.
A – Já foi usada, não foi?
P – Ainda não foi usada nessa prisão. O doutor tem sérias dúvidas a respeito dela. Eu ouvi falar que envolve grandes perigos.
A – Não ligo para os perigos. Só quero ser bom. Quero que o resto da minha vida seja um só ato de bondade.
P – A questão é se essa técnica faz ou não faz o homem realmente ficar bom. A bondade vem de dentro. A bondade é escolhida. Quando um homem não pode escolher, deixa de ser homem.
A – Eu não entendo os comos e os porquês. Só sei que quero ser bom.
 P – Tenha paciência, meu filho. Tenha fé no senhor.

O tratamento Ludovivo seria um atentado à liberdade individual?

Se Alex escolheu o tratamento, por que seria um atentado à sua liberdade? Há que se considerar o fato de que ele não sabia de todas as conseqüências. Ele fica indefeso (não tem mais reações violentas nem de autodefesa). Mas Alex sabe que as conseqüências são perigosas. Ele aceita correr o risco. Ele tem direito de usar sua liberdade contra si mesmo. Ele tem o direito ao seu corpo, quero dizer, ao seu próprio ploti, ele é dono de sua própria jizna, e, portanto, ele tem o direito de deixar de ser um homem que, por definição, seria um ser um ser capaz de fazer escolhas. Seria o último ato dele como homem, isto é, o último ato de um mudji. Mas isso é perfeitamente convergente com a ideia de respeito à liberdade desse bolshi tchelovek.

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