The Big Bang Theory é um belo passatempo. Eu tenho uma queda por Two and Half Men, mas ultimamente tenho rido muito mais com a turma de Shledon, Leonard, Howard, Raj e Penny. Eu também gosto de Friends, mas o mundo deles é deveras medíocre (talvez muito próximo da nossa vidinha insípida). Eles cometem eventualmente alguns excessos, mas em geral são muito comportados para o meu gosto. Já Charlie Harper encanta pelo seu extremismo etílico e sexual (que nem é tanto assim). Bem, mas com a turma de Sheldon é muito diferente. Ali, com exceção de Penny, temos pessoas extremas. E mesmo Penny sendo relativamente normal dá de 10 numa Phoebe (sem graça).
Raj é ótimo. A sua incapacidade de falar com mulheres seria razão para a procura de tratamento psiquiátrico. Mas ele não procura psicólogos nem psiquiatras. Ele toma umas e, shazan, consegue falar com as mulheres. Howard é pateticamente incorrigível. É o único dos quatro que tem um sentido mais apurado da existência do mundo sexual. Mas no caso dele, ter esse sentido mais apurado implica tornar-se um ridículo nerd que pensa ser um don Juan. Sua inabilidade crônica com as mulheres também seria motivo para uma consultazinha no psicólogo da esquina. Mas ele encara sozinho a parada. Leonard é o ponto de equilíbrio. Ou melhor, uma tentativa de equilíbrio. Ele se acomoda melhor ao mundo dos comuns filhos da terra do que seus outros três amigos. Claro que, para Penny, somente Leonard poderia ter alguma chance. Imaginem ela e Raj. Ou com Howard. Impossível.
Agora, e Sheldon? Sheldon é uma maravilha! A neurose perfeccionista dele me lembra Monk às vezes. Mas Monk não é uma metralhadora cerebral, não é arrogante e seu universo mental é poderoso mas não fascinante. Monk é até queridinho. Dá pena. Ele precisa das pílulas mágicas, precisa ir ao consultório. Ademais, Monk não é um intelectual. Sheldon é um intelectual. Talvez intelectual seja pouco. Vamos conceder: ele é um homem do conhecimento. Mas ele é, claro, uma aberração humana. Quem gostaria de ter como amigo uma pessoa como Sheldon? A rigor, nem seus amigos são verdadeiramente seus amigos. Às vezes temos a impressão de que são apenas 4 amiguinhos de infância que têm em comum o gosto pela ciência e, principalmente, pelos mesmos gibis, filmes e jogos (eles gostam de brincar juntos). Sheldon é uma espécie de andróide. É interessante que ele, sendo o menos normal de todos, é o que menos sofre consigo mesmo. Leonard é cheio de hesitações (coloco aqui também seu faro sexual). Howard se exaspera com sua mãe e com os chutes que leva. Raj dá sinais de sofrimento com seu mutismo.
Sheldon é firme, autoconfiante, cabotino, soberbo, esnobe. E, sobretudo, irônico, sarcástico e com um senso de humor primoroso. Num dos episódios, Penny, preocupada se seu nível intelectual não está muito aquém do de Leonard, pergunta a Sheldon:
- He [Leonard] ever been involved with someone who wasn’t a brainiac?
Sheldon – Oh! Well, a few years ago he did go out with a woman who had a Ph.D. in French literature.
Penny – How is that not a brainiac?
Sheldon – Well, for one thing, she was French. For another, it was literature.
Um show, simplesmente um show.

5 comentários:
Oi.
The Big Bang Theory nem é minha comédia favorita da atualidade, mas me rende boas risadas. Principalmente as “aparições” da mãe do Howard. Alem da relação incomum dos dois, essa face oculta me faz construir uma imagem dela na minha mente, como fiz com a Maris (Frasier) e o Stanley (Will&Grace).
Assombro-me contigo!!!
Fascinante...
Assombro-me contigo!!!
Fascinante...
TBBT está no meu "top 10" de seriados. Pudera, um seriado que fale de física obviamente me encantaria hahahahh.
(Só não gostei de um episódio que ele critica as Ciências sociais - 3° temporada, se não me engano)
muito legal! terminei de assistir a 1ª temporada esses dias. O capitulo que me pareceu mais interresante foi o 14°, quando Penny ridiculariza os amigos nerds por causa do habito que esses tem de brincar, jogar video game e ler gibs mesmo sendo homens adultos. Acho que o proposito era passar uma mensagem bacana que fica bem clara com uma frase do diretor no final do episodio(acompanhada de um belo discurso), "no dream, no gain".
Postar um comentário