09 novembro 2009

Uma pérola

O sábio e os ignorantes


Um exemplo da "indigestão" causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia "desrespeitado" porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas. Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos. (Luiz Felipe Ponde. “A cruz”- Folha de São Paulo, 09/11/2009).

Quer dizer que é ridículo pensar que crucifixos devem ser apenas símbolos dos indivíduos e de suas agremiações de metafísica plebéia, e não símbolo ostentado pelo Estado? Quer dizer que se os cristãos tivessem a espada na mão obrigariam aqueles que querem um Estado sem crucifixo a pedir solenemente desculpas? Sob pena de sofrerem sanções? Quais? Por acaso, o Estado é “a grande parte da humanidade” (ou simplesmente da Itália)? O Estado italiano é a maioria dos italianos? Ora, ora ....

5 comentários:

KAREM REGINA COSTA disse...

A CRISTANDADE ESTARIA DEFINITIVAMENTE DERROTADA SE SEU SÍMBOLO MAXIMO FOSSE UM HOMEM MORTO NUM MADEIRO...(Karem)

Nós cristãos estamos bastante felizes por não necessitarmos de defensores com argumentos tão medíocres quanto os do Sr.LUIZ FELIPE PONDE. Será jornalista???? Talvez seja por isso que não se faça mais necessário o diploma para essa função....
Não gosto do termo "ignorante", pois remete pensar na alienação total sobre determinada coisa ou assunto. O termo correto seja talvez a falta de um conhecimento mais aprofundado sobre o que é realmente este símbolo, ou melhor seu significado. A Cruz tem um sentido amplo pois é a personificação do Existencialismo não só humano mas das espécies. Sabia que respirar é dolorido???
Que ás vezes dói existir?? Quem nunca teve esse sentimento talvez seja um autista insensível quanto à realidade humana e dos seres em geral, ou então seja um "bobo da corte" que só veio para dar risadas... A Cruz é ecumênica no sentido de representar o fardo que é estar por aqui. Não estou falando ou defendendo o sentimento Kafkaniano de nos arrastarmos eternamente como um inseto, nem do sofrimento daquele pobre agrimensor que tudo fez para entrar no Castelo e ao entrar se deu conta que estava no labirinto obscuro de sua própria alma...
Estou falando que a Cruz (não crucifixo) é o símbolodo fardo da vida. Não se trata de um homem morto e derrotado. Jamais me curvaria à Cruz....e nem a um Deus morto... Talvez Deus a tenha deixado apenas para lembrar-nos de quão "humos" somos, quão limitados e quão dependentes somos de uma Existência Superior.

Em relação ao Estado, deve-se abster das questões religiosas e do mesmo modo a Igreja....

ABRAÇO

KAREM

Anônimo disse...

Hei caro professor!
Primeiramente um forte abraço!Saudades.

Num segundo momento gostaria de dizer-te o seguinte: - Sou de opinião, quase que invariavelmente, idêntica a tua nos temas em que minha tímida capacidade de refletir consegue acompanhá-lo junto com os inteligentes comentários de teus leitores.

Mas neste texto "o sábio e os ignorantes", fiquei com a impressão de que foste "LEVE" demais com o 'sábio' Luis Felipe Ponde e gostaria de ver-te fundamentando e discorrendo mais sobre a 'sabedoria' do Felipe e de pessoas que pensam como ele.

Fica então, registrada a minha sugestão.

Abraço e estamos todos ansiosos para revê-lo.

Everaldo

Aguinaldo Pavão disse...

Oi Karem.
O articulista da Folha, Luis Felipe Ponde, geralmente escreve coisas interessantes. E mesmo discordando dele, continuo achando boas as suas colunas.
Estamos de acordo sobre a abstenção do Estado com respeito às questões religiosas.
Abraço.

Aguinaldo Pavão disse...

Querido Everaldo.
obrigado pelo comentário.
Realmente não só fui leve com o Pondé, como preguiçoso na discussão. Eu já teci alguns comentários sobre o assunto em < http://agguinaldopavao.blogspot.com/2009/08/crucifixo.html>.
Sobre o que ele alega, poderia acrescentar, contra, que:
1) Ninguém pode, como indivíduo, ter sua liberdade de usar o adereço que quiser em seu corpo conspurcada. Portanto, nenhum dano à liberdade individual é provocado se o Estado simplesmente deixa de ostentar símbolos religiosos.
2) A liberdade religiosa pode perfeitamente – e esse direito é natural, precisa ser reconhecido pelas leis positivas – permanecer de pé, divulgando suas mensagens e ostentando seus símbolos em qualquer lugar. Num outdoor, em faixas colocadas em ônibus, táxis, sem contar evidentemente na liberdade de construir estatuas e qualquer coisa que represente o uso da liberdade da propriedade privada (coisa que o Estado deve apenas respeitar).
3) A história de 2.000 anos do cristianismo não é nenhum argumento em favor da reverência que deveria ser prestada a ele por quem o considera apenas uma metafísica plebéia, como qualquer religião, ou seja, um conto de fadas com alguma sofisticação metafísica mínima. Talvez isso seja ignorância, mas num Estado que respeita a liberdade individual, a ignorância dos indivíduos também é respeitada.
4) Mesmo que se admita o fato de o crucifixo ser símbolo do próprio ocidente, isso em nada serve para justificar o fato dele ser símbolo ostentado pelo Estado.
Abraços. Saudades também.

Dimitri Diniz da Costa disse...

Por isso que jornal é lixo hoje em dia. Deixam qualquer pessoa escrever qualquer coisa sem, primeiro, passar por uma rigorosa análise. Se o Estado é laico então.
[]'s