Não importa se somos crentes ou agnósticos, se acreditamos em Deus ou no carma, todos podemos nos empenhar pelos princípios morais.
Pela prática verdadeira em sua vida diária, o homem cumpre de fato a meta de toda a religião, qualquer que seja ela ou que nome tenha.
Bom, muito bom!
Isso me lembra Kant. Kant, que parece não ter dado a mínima para o budismo, também é claro em considerar que a admissão da existência de Deus (quanto mais de uma religião estatutária) não é necessária para se reconhecer a validade da lei moral. Kant advoga que todo e qualquer ser racional, seja crente em Deus, ateu ou agnóstico, se reconhece estreitamente ligado às prescrições da moralidade. Kant declara, dando como exemplo Spinoza que
podemos [...] admitir um homem bem formado [...] que se deixe convencer que não há um Deus (já que no que respeita ao objeto da moralidade as conseqüências são as mesmas), assim como nenhuma vida futura; como ajuizará ele a sua própria determinação final interior mediante a lei moral, a qual ele verdadeiramente preza? Não exige para seu cumprimento qualquer vantagem para si, nem neste, nem noutro mundo; sobretudo e de modo desinteressado o que ele quer é somente fundar o bem, para o qual aquela lei sagrada oferece todas as suas forças. Mas o seu esforço é limitado [aber sein Bestreben ist begrenzt]. Na verdade, ele pode esperar da natureza, aqui e além, um apoio casual, mas jamais uma feliz concordância, conforme a lei segundo regras constantes [...] com o fim ao qual ele porém se sente vinculado e impelido a realizar. Mentira, violência e inveja rondá-lo-ão sempre, ainda que ele próprio seja honrado, pacífico e benevolente; e as pessoas bem formadas que ainda encontra, a despeito de todo o seu merecimento em serem felizes, serão subordinadas pela natureza – que não toma isso em consideração – tal como os restantes animais da terra, a todos os males da privação, das doenças e da morte imprevisível e assim permanecerão até que um largo túmulo a todos trague [...] e os lance [...] de volta ao abismo do caos da matéria sem finalidade, do qual tinham saído (CFJ)Não é evidentemente um cenário atrativo o caos da matéria sem finalidade, mas isso não afeta o móbil da moralidade. O ateu e o agnóstico podem perfeitamente se resignar a essa sombria descrição feita por Kant. É claro que os seus esforços serão limitados, pois são esforços humanos.
Se Deus tem importância secundária para a moral é de se presumir que a importância da religião revelada é ainda menor.
A religião (subjetivamente considerada) é o conhecimento de todos os nossos deveres como mandamentos divinos. Aquela em que devo previamente saber que algo é um mandamento divino para o reconhecer como dever é a religião revelada (ou necessitada de uma revelação); pelo contrário, aquela em que de antemão devo saber que algo é meu dever, antes de o poder conhecer como mandamento divino, é a religião natural (A religião nos limites da simples razão, III parte).
Eu pergunto, ó sapientíssimo Kant: depois de saber que algo é meu dever por conta própria, isto é, de saber que devo agir de acordo com o princípio da autonomia da minha vontade, que importância tem Deus e religião natural?
Copyright © 2009 Aguinaldo Pavão
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6 comentários:
"Numa sociedade Licérgico-raveniana, tecnocráta, autômata, ainda estamos procurando por coisas elementares: Felicidade...."
"Felicidade é uma metafícia platônica que existe em uma dimensão através de um formato idealizado.SENDO ASSIM NÃO POSSO CONCEITUALIZÁ-LA".
Gosto de compactar meu pensamento e expressá-lo de uma só forma, mas dessa vez vou seguir os passos do meu Professor:
Por se algo metafísico não há um como defini-la de forma concreta.O que há são prescrições filosóficas para alcançá-la, tipo "regrinhas" à cumprir.Quanto ao Dalai-Lama a felicidade se constitui em um processo de aprendizado e aperfeiçoamento. Eu concordo. Mas o "Grande Sábio", não conseguiu nos fazer entender o que realmente ela é. Vamos à Epicuro- que definiu de três formas: a amizade, a liberdade e uma vida analisada. Conheço pessoas que possuem úma vida com todas essas características e no entanto são profundamente infelizes. Nesse caso a prescriçao não ajudou muito. Concordo com dois pontos em Epicuro, apenas discordando de um: Não preciso de proximidade para amar as pessoas, eu as levo dentro de mim, talvez para isso tenha sido criada a subjetividade....
Quanto ao complexo KANT (e meu Professor pode me corrigir nesse sentido pois é Doutor no assunto: O que é a Natureza??? Seria um Logos-Organizador???? Essa Natureza que propicia a junção de indivíduos para a realização da paz perpétua, seria apenas uma forma de deixar de lado um termo "vassalo": Deus???....
Concorco com Kant quando diz que o Estado tem que se empenhar para que os cidadãos alcancem a felicidade através de um sistema jurídico que prime pela moral. Mas também não diz o que é felicidade.
Assim sendo dentro dessa icógnita que nos apresenta façamos o seguinte:
1) Nos aperfeiçoemos no aprendizado do bem (Dalai Lama)
2)Procuremos alcançar as 3 dimensões da felicidade: amigos, uma vida analisada, e uma liberdade (que também até agora nenhum "Mestre" conseguiu explicar concretamente o que venha a ser)-Precrição de Epicuro.
3)Saibamos escolher dirigentes que procurem estabelecer regras jurídicas-morais para o alcance da felicidade dos cidadãos.-KANT
Vamos seguir essas regrinhas. Quem sabe consigamos alcançar ao menos um bem-estar interior.Um dia talvez algum intecto cibernético nos defina o que venha a ser realmente FELICIDADE...
ABRAÇO
KAREM
Oi Karem.
Obrigado pelo comentário.
Baahh! Eu não faço a mínima ideia do que seja “sociedade licérgico-raveniana”. Poderia explicar?
Um comentário sobre Kant: não consigo, como você, ver Kant como defensor de um Estado preocupado com a felicidade dos súditos. Antes, parece-me que para ele a preocupação do Estado deve ser, essencialmente, salvaguardar a liberdade dos súditos a fim que estes, e não o Estado, procurem a felicidade, conceito que não pode ser, segundo Kant, representado de acordo com um princípio universal. Mas talvez eu não tenha entendido bem o que você disse.
Abraço.
Bem, Professor,não sei se pode observar mas estamos em uma Sociedade carente de felicidade(continuo acredeitando tão somente num leve bem-estar de espírito), mas há um exército de infelizes que procuram isso nos Diazepínicos, nos Canabinóides, nos Acidos LICÉRGICOS, no LSD, na Heroína e por aí a fora. E não só os viciados, mas os dependende de Psicotrópicos para cura de "Depressão", Ansiedade, Síndrome do Pânico e outras psicoses idênticas a essas é que chamo de Sociedade Licérgico-Raveniana. Espero ter me explicado. Quanto à Kant vou analisar melhor e volto a comentar talvez com mais propriedade pois estou falando com o Dr. no assunto.
Abraço
KAREM
Oi Karem.
Obrigado pelo esclarecimento. Não disponho de dados estatísticos acerca do consumo das substâncias que você lista, mas acredito que dificilmente encontraremos informações e estudos confiáveis que digam que tal consumo é praticado pela maioria da população. Sendo assim, não vejo com bons olhos caracterizações tais como “sociedade isso”, “sociedade aquilo”. Qual pesquisa foi feita para abonar tal etiquetagem? Que eu saiba em todas as épocas e lugares indivíduos procuram formas de evasão da realidade. Isso, por si só, não representa nada de mal (em termos morais). Sobre Kant, se você permite gostaria de dizer que não sou “Dr” em nenhum assunto. Apenas escrevi uma tese a respeito de um tema em um autor (e não sobre todos os temas desse autor). E sobre o tema da minha tese tenho, hoje, mais dúvidas que certezas. Então, minha autoridade intelectual como “Dr” é zero.
Abraço.
Oi,Prorfessor:
Não possuo nenhuma pesquisa oficial à respeito, até porque não consultaria dados do Ministério da Saúde em relação à números de patologias que afetam a população brasileira, pois são totalmente mascarados em seus índices. Que interesse o Governo tem em chamar a atenção da população para o vírus HPV(responsável pelo cancêr uterino, e é uma patologia sexualmente transmissível e mata 80% das mulheres dectadas aqui no Laboratório em que trabalho). Por que alertar à população para o consumo demasiado de bebidas alcóolicas (a grande maioria dos homens aqui analisados possuem uma dose excessiva de GAMA GT no sangue, e é o grande causador de impotência sexual e de mortes por Cirrose). A grandre maioria de jovens(13 à 29 anos), do quadro de nossos pacientes, tanto homens e mulheres são usuários de algum tipo de entorpecente ou sedativos psicotrópicos. Por que uma pesquisa com dados corretos????
Não seria um "marketing" negativo para um Presidentinho que quer eleger uma ministrazinha "que passa por alguns probleminhas de saúde , inclusive a falta Aguda de Caráter" e Sindrome do TOC para desperdício de dinheiro público????). E quanto ao fator "DROGAS - CASO DE SAÚDE PÚBLICA -" Existe algum programa governamental em ação???? (eu desconheço). Não precisamos de Institutos de Pesquisa e Órgãos Governamentais para saber o quanto nossa gente está "enfiada" dos pés à cabeça em uma série de substâncias psicoativas. O caso é pior do que se imagina.
Sendo assim, toda pesquisa que venha a ser divulgada, não terá a menor credibilidade para nós que trabalhamos com dados "empíricos" sobre o assunto.
Quanto ao KANT continuarei considerando você alguém que domina com bastante propriedade os temas que se propõe a discutir (não estou bajulando, não é meu estilo), sou franca quando digo as coisas.
KAREM
Embora meu comentário não vá contribuir absolutamente em nada na discussão, não posso deixar de fazer uma observação: professor, a banca de livros em promoção ao qual o sr. se refere seria a do Sebo Capricho 2? Eu adoro aquela "banquinha", já achei livros mto interessantes lá na maioria das vezes por menos que R$5,00, o que é um deleite para mim, pobre assalariada que sou! Abraços!
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