Vi na televisão uma propaganda do candidato Hauly (PSDB). Nela era anunciada a proposta de se pagar apenas R$ 1,00 a passagem do transporte coletivo urbano aos domingos. E era dito que, assim, as pessoas, gastando menos, poderiam ir mais facilmente às missas dominicais. Que beleza, hein! O que você acha Nozick? Acalme-se. Veja como a idéia é brilhante. A prefeitura subsidiará a ida das mentes piedosas aos templos de adoração do santíssimo, de Jeová, de Jahvé. Celebrarão o salvador. Farão oblações à santíssima trindade. A prefeitura apenas pegará o dinheiro do cofre – o dinheiro que chega lá depois de ter saído do bolso dos indivíduos – e financiará, a fundo perdido, o transporte das devotas almas. E o individuo pagador de impostos que não usa ônibus? Ora, pagará do mesmo jeito. E a pessoa que é coagida a tirar dos frutos do seu trabalho uma parcela e repassar para os malditos cofres públicos e que não tem o habito de ir à Igreja aos domingos (e nem de ir com a família ao zoológico dar pipocas aos macacos)? E essa pessoa? E esse indivíduo? Esse indivíduo não acredita na virgindade de Maria, não acredita na santidade do Papa, não acredita em tagarelices de pastores, contudo esse indivíduo terá também de pagar essa monástica conta. Ah, Nozick! É dose pra mamute!
Agora, tem algo bom nisso. É que eu estava indeciso. Estava com uma dúvida cruel se votava no Hauly ou anulava meu voto. A proposta do ônibus aos domingos foi muito útil. Agora tomei minha decisão e minha alma está em paz. É nulo!
E tem mais: No JL de hoje, 18/09/08, perguntado sobre homofobia, Luis Carlos Hauly saiu com essa: “Ao poder público cabe incentivar e apoiar todas as ações que resultem na conscientização da sociedade sobre a necessidade de termos uma postura tolerante e capaz de um convívio que leve à paz e ao sentimento cristão” . O que o poder púbico tem a ver, oh digníssimo candidato, com sentimento cristão? Por que o senhor não diz claramente o que pensa sobre o tema? Por que não assume uma idéia clara a favor dos direitos dos homossexuais? Afinal, com base em que se pode sustentar tratamentos e direitos diferenciados entre heterossexuais e homossexuais? Diga, senhor Hauly, em alto e bom som que é a favor dos homossexuais se beijarem em público, darem as mãos, abraços e beijos nas missas. Diga que é a favor de que eles possam se casar, que possam adotar. Diga isso, ou diga qualquer outra coisa forte, vibrante e eu talvez mude de idéia. Por enquanto é nulo.
7 comentários:
Fala Aguinaldo beleza?
Na tentativa de responder ao seu questionamento: "Afinal, com base em que se pode sustentar tratamentos e direitos diferenciados entre heterossexuais e homossexuais?"
Os heteros devem ter alguns direitos preferenciais, pois se sua prática não for mais praticada a espécie acabará.
quanto a falta de prática homossexual, o máximo que acarretará será a repressão de um desejo.
Gsotaria de saber sua opinião sobre isso...
Obrigado.
Guilherme.
A sobrevivência da espécie seria prejudicada se todos fossem homossexuais e, além disso, não praticassem sexo (eventualmente, ou apenas de modo não preferencial) com pessoas de outro sexo com fins reprodutivos. Mas a espécie humana também acabaria se todos praticassem a abstinência sexual, ou se todos praticassem sexo usando métodos contraceptivos (cujas eventuais falhas seriam corrigidas com aborto). Posso imaginar vários casos em que a universalização da ação (e não da máxima) impediria a sobrevivência da augusta espécie humana.
De todo modo, defendo a tese de que o Estado jamais deveria, temendo a extinção da espécie humana, impor leis a fim de evitar tal conseqüência. Sendo assim, não vejo qualquer fundamento em se afirmar direitos preferenciais aos heterossexuais devido à possibilidade de extinção de tão nobre espécie como a dos mamíferos humanos.
Os homossexuais não devem ter seus desejos reprimidos, assim como também não devem ser reprimidos em seus desejos os heterossexuais. O Estado não deve cuidar de reprimir desejos de ninguém. Isso não é função de uma lei positiva. Leis positivas devem reprimir ações. E se forem leis positivas legítimas devem reprimir apenas aquelas ações de um individuo que impedem a liberdade de um outro indivíduo. Por conseguinte, não passa de conservadorismo moral e político de quinta categoria opor-se à idéia de direitos iguais para homossexuais e heterossexuais.
Homossexualismo e o Movimento Gay
Serei breve sobre o assunto para ser claro. O que é o movimento gay? Como o nome diz, é um movimento que pretende atingir certos ideais (como todo e qualquer movimento). Tais ideais, no caso, se referem a conceder direitos especiais para uma certa casta de pessoas – as pessoas que possuem opções sexuais que diferem da opção natural que é a opção heterossexual. Logo, uma casta de seres humanos será criada se tais ideais deste movimento forem impostos. Que direitos são esses? São os direitos naturais que derivam dos direitos fundamentais da vida, da propriedade privada e, portanto da liberdade? Não. Esses direitos conferem a todo e qualquer homossexual o direito de entrar e sair de qualquer propriedade – pública ou privada. Esses direitos dão ao cidadão homossexual o direito de processar um judeu dono de alguma empresa por que ele não admite em sua empresa travestis ou outros sexistas. Portanto, como já falei no texto passado sobre a liberdade e suas conseqüências, quanto mais direitos são legados ao povo, menos liberdade há para o indivíduo.
O que é o homossexualismo? Trata-se da escolha que um indivíduo faz sobre como levará a sua vida. Essa escolha é, muitas vezes, uma questão de prazer sexual, uma questão meramente empírica. Outros indivíduos, porém possuem asco de aproximarem-se de pessoas do sexo oposto. Esses indivíduos nascem com a predisposição hormonal de se relacionarem com outras pessoas do mesmo sexo. Dentre os animais também há casos desse tipo de homossexualismo até onde estou informado (esse homossexualismo dentre os animais deveria ser combatido?). Então, se o indivíduo nasce com essa predisposição natural para ter relações – não apenas sexuais, mas amorosas duradouras como casamento e etc. – com outro do mesmo sexo, então não há argumento nenhum no mundo que possa fazer com que ele mude a sua opção. Assim, de uma vez por todas... Para aqueles que querem fazer barulho “pagando de conservadores”: Mesmo se houver uma lei mundial que proíba a prática homossexual, a maldita espécie humana não vai progredir nestes casos de homossexualismo! Pois esses indivíduos não irão abrir mão de sua própria natureza por uma merda de um capricho de quem simplesmente não consegue botar na cabeça que outros dois homens ou mulheres possam se gostar e se amar. Não estou falando de conservadores como o Sr. Olavo de Carvalho que já deixou claro em seus programas de rádio que não se opõe ao ato homossexual ou à escolha individual que é feita por um indivíduo. Estou a me referir aos “olavetes”, aos idiotas que, não conseguindo pensar por si mesmos e munidos de uma euforia de um não-sei-o-que, soltam essas pérolas sobre a espécie humana acabar por aí e com isso não fazem mais do que deteriorar quem é efetivamente conservador.
O movimento gay é uma ameaça a nossa liberdade. O homossexualismo em si é uma fatalidade da espécie humana que existe há milênios e, possivelmente, sempre existiu. O movimento gay é marxista e revolucionário. O homossexualismo é uma questão de liberdade individual e, muitas vezes, um determinismo natural e, como tal, é impossível de ser combatido. Agora é claro que isso não lega ao homossexual o pleno direito de ter uma família com filhos e etc. Isto é um assunto a ser discutido – se é que dá para discutir isso. Criar um filho não é coisa fácil. Só quem não sabe o que é ter uma família, só quem não tem a mínima idéia do que é o respeito pela mãe e pelo pai é que vai dando palpites sobre a questão dizendo que os homossexuais têm total direito sobre o assunto.
Então não é possível proibir que dois homens resolvam morar juntos numa mesma casa com o objetivo de viverem felizes para sempre. Mas a partir do momento em que estes homens, pelo simples motivo de terem escolhido esta vida para eles, se acham superiores aos demais reles humanos heterossexuais, então estes indivíduos devem ser punidos e punidos severamente. Pois não podemos abrir mão de nossa liberdade para um simples capricho de ordem sexual.
Caro Nicolas.
Gostaria de comentar algumas idéias que você apresenta.
Você diz que os homossexuais “possuem opções sexuais que diferem da opção natural que é a opção heterossexual”.
Se entendermos opção como ato que implica uma decisão fundada no livre-arbítrio, eu diria que uma pessoa não opta por ser heterossexual, do mesmo modo que não opta por ser homossexual.
Você também afirma: “O homossexualismo é uma questão de liberdade individual e, muitas vezes, um determinismo natural e, como tal, é impossível de ser combatido”. Agora é claro que isso não lega ao homossexual o pleno direito de ter uma família com filhos e etc. Isto é um assunto a ser discutido – se é que dá para discutir isso. Criar um filho não é coisa fácil. Só quem não sabe o que é ter uma família, só quem não tem a mínima idéia do que é o respeito pela mãe e pelo pai é que vai dando palpites sobre a questão dizendo que os homossexuais têm total direito sobre o assunto”.
Calma aí. O que tem a ver respeito aos pais com o direito de um casal homossexual adotar uma criança? O que seria um direito a ter família que não fosse pleno? Qual a diferença entre “ter direito” e “ter total direito”
Você alega que “não é possível proibir que dois homens resolvam morar juntos numa mesma casa com o objetivo de viverem felizes para sempre. Mas a partir do momento em que estes homens, pelo simples motivo de terem escolhido esta vida para eles, se acham superiores aos demais reles humanos heterossexuais, então estes indivíduos devem ser punidos e punidos severamente”
Eu gostaria que fosse citado um texto em que o chamado movimento gay - em relação ao qual evidentemente não tenho nenhum compromisso – tenha reivindicado superioridade diante dos outros seres humanos. E se por acaso isso foi feito, o que eles pretendiam? Pretendiam uma lei que concedesse o reconhecimento da superioridade, vamos supor, intelectual deles? Onde está esse documento?
Você escreveu: “não podemos abrir mão de nossa liberdade para um simples capricho de ordem sexual”.
Mas, Nicolas, de que liberdade abriremos mão se apenas reconhecermos (e assumirmos as conseqüências sociais e políticas disso) que não há base na razão para que se confira direitos diferenciados para homossexuais e heterossexuais?
Abraço
Tudo bem Nicolas? Concordo com vc, ficar emprestando opinião das pessoas sem realizar uma reflexão mais detalhada com atecedência não é mesmo um bom caminho para a prática intelectual.
Esses "olavetes", como vc diz - gostei desse termo - que só escutam as coisas que os outros falam, mas não praticam uma leitura aguçada dos textos pertinentes às discussões realmente cometem muitos equívocos.
No entanto, tomo a liberdade de citar um trecho do livro "O Imbecil Coletivo", de Olavo de Carvalho, páginas 327 e 328, em que ele expõe claramente que ele vê uma nítida diferença entre a prática homossexual e heterossexual, sendo que a última está num plano diferente em detrimento da primeira. Além disso, ele discorda da sua argumentação de que essas práticas derivam de uma opção. Vamos ao texto:
"A confusão proposital começa nos termos mesmos em que se coloca a discussão: opções sexuais. Hetero e homossexualidade não são igualmente opções. As relações entre sexos diferentes não são uma opção livre, mas uma necessidade natural para todas as espécies de animais. Já o homossexualismo não é uma necessidade de maneira alguma, mas apenas um desejo. A supressão total da homossexualidade produziria muita insatisfação em certas pessoas; a da heterossexualidade traria a extinção da espécie. Colocar essas duas orientações num mesmo plano, tratando-as como simples opções livres, é falsear na base a discussão. O homossexualismo é uma opção; a heterossexualidade é um dado".
Então Nicolas, se suas afirmações foram verdadeiras, Olavo não passa de um idiota que relaciona discussões sexuais com o fim da espécie humana. Não é o que me parece no trecho citado acima. Podemos discordar dos elementos do texto dele, e acho muito bom que isso aconteca. Esse foi um dos motivos que me levou a pedir o posicionamento do professor Aguinaldo sobre essa discussão, pois se ele tivesse uma posição contrária a do Olavo eu poderia ponderar outros pontos que talvez não estivessem tão claros para mim.
Obrigado
Fala Aguinaldo, beleza?
Tomo a liberdae de te passar um link que contém alguns comentários sobre a lei nº 5003-b/2001 (crimes de homofobia)na tentaiva de responder ao questionamento que vc fez no comentário: "Eu gostaria que fosse citado um texto em que o chamado movimento gay - em relação ao qual evidentemente não tenho nenhum compromisso – tenha reivindicado superioridade diante dos outros seres humanos. E se por acaso isso foi feito, o que eles pretendiam? Pretendiam uma lei que concedesse o reconhecimento da superioridade, vamos supor, intelectual deles? Onde está esse documento?"
O link é http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9306
Esse não é um documento produzido por nenhum movimento, mas trata-se de uma lei que já foi aprovada na Câmara e aguarda votação no Senado. No entanto, sabe-se que muitos senadores e deputados são apoiadores dos movimentos gays, e não sei se analisar o texto dessa lei separadamente das exigências desses movimentos possa ser a melhor opção.
Eu não concordo com alguns posicionamentos do autor do artigo, mas a existência do texto da lei neste artigo pode ajudar na discussão.
No texto da lei não me lembro de ter lido nada sobre a superioridade dos homossexuais, ela não contempla tal aspecto, por outro lado, aborda pontos problemáticos como criminalizar a crítica ou uma opinião contrária a prática homossexual.
Valeu Aguinaldo...
Guilherme.
Gostaria de dizer que este comentário que o professor Aguinaldo colocou aqui em seu blog, é um texto que eu havia escrito em meu blog. Eu ia comentar outra coisa aqui antes, mas não consegui. Sobre o que você citou sobre o fim da espécie, eu resolvi aproveitar a questão para tratar desse assunto, especificamente, em meu blog. O comentário que eu iria fazer aqui não diz respeito, exatamente ao teu comentário. Mas sobre a questão toda que foi levantada sobre esse argumento do fim da espécie. Então responderei sobre isso em meu blog, para não ocupar o espaço do professor Aguinaldo.
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