“Se todo homem tivesse uma afetuosa consideração pelos demais, ou se a natureza satisfizesse abundantemente todas as nossas necessidades e desejos, os conflitos de interesse, que a justiça pressupõe, não poderiam mais ocorrer; e não haveria mais ocasião para se estabelecer aquelas distinções e limites de posse e propriedade que hoje se usam entre os homens. Aumentai até um grau suficiente a benevolência dos homens ou a generosidade da natureza, e tornareis a justiça inútil, preenchendo o seu lugar com virtudes muito mais nobres e bênçãos mais valiosas. O egoísmo humano é atiçado pela escassez de nossos bens, quando comparados às nossas necessidades; e é para restringir esse egoísmo que os homens se viram obrigados a se separar da comunidade e distinguir entre seus próprios bens e os dos outros” (Hume)
“A razão reflexionante descobre bem depressa a instituição do Estado, que, surgindo do medo recíproco dos homens diante de suas forças recíprocas, evita tão amplamente as conseqüências prejudiciais do egoísmo geral quanto se pode fazê-lo por vias negativas".(Schopenhauer)
5 comentários:
Fala Aguinaldo beleza? Rapaz, esses dias eu te cumprimentei na UEL e não sabia que vc era vc mesmo. Eu estava com o Gabriel e perguntei: "quem é ele?", "é o Aguinaldo"... eu falei: "putz, não sabia, sou leitor do cara".... hehehehe.....
Mas ó, esse trecho do Hume é meio complicado hein? ele dá uma cutucada na propriedade, correto? E tenta descrever a genealogia da coisa..... mas esses dias eu estava lendo um texto do Russell Kirk, conservador no último grau, e ele falava sobre a dificuldade em se questionar valores presentes na sociedade por milênios e que talvez nunca chegaríamos a encontrar o fundamento desses valores, mas que deveriam ser respeitados pela simples tradição que os carregava por milênios. Estou de acordo com o Kirk, pois vejo no ataque feito à propriedade uma estratégia da esquerda em tomar tudo pra ela, e as experiêcnias com a esquerda mostram isso facilmente. Quer dizer, os esquerdistas afirmam que as desgraças do mundo são culpa da propriedade privada e do capitalismo, como se não houvesse problema no mundo antes disso, e acham que acabando com a propriedade podemos melhorar a estrutura dos relacionamentos entre os homens, e pra fazer isso eles começam matando todo mundo hehe, é engraçado né?
Sou meio radical com relação a propriedade, acho isso um valor fundamental e qualquer tentativa de ferí-lo como diz o Rosenfield é um passo para as ditaduras de esquerda.....
abração
Guilherme.
Obrigado pelo comentário.
Até onde consigo ver, Hume em momento algum se coloca como crítico da propriedade. Em segundo lugar, o que o venerável senhor Russell Kirk fala só pode agradar a conservadores, não a liberais. Portanto, a mim não agrada.
Abraço.
Vamos lá, vou tentar me posicionar novamente.
Entendo que o texto de Hume diz que o egoísmo humano é atiçado pelas faltas que nem a natureza, nem o nosso afetuoso relacionamento com os que nos cercam podem suprir. Desses dois problemas o homem se torna mais egoísta e elege determinadas coisas como dele para sua conservação.
Digo que Hume critica a propriedade por ver nela o resultado dessa precariedade da condição do homem, que se pudesse ser resolvida acabaria com a propriedade. O que afirmo é que a propriedade não é o resultado de um problema, mas um valor instituído e de proporções desastrozas se colocado em suspensão.
Vejo um problema no uso termos "Conservador" e "Liberal", isso porque, no contexto americano, onde podemos ter uma distinção mais clara, eles recebem significados diferentes dos trabalhados aqui no Brasil. Por exemplo, o "liberal americano" é o posicionamento que o senhor tanto critica aqui no blog, caracterizado pela defesa da intervenção do estado na economia e na transformação dos valores morais da sociedade. Segundo David Horowitz em "The politcs of the Bad faith", o termo liberal nos EUA está vinculado com os esquerdistas, ligados aos grupos globalistas, aos democratas e afins.
Os conservadores americanos lutam pelo livre mercado, pela manutenção dos valores judaico-cristãos e pelo uso da liberdade. Esses são os pilares dos autores conservadores que li até agora.
Quando penso em conservadors e liberais sempre penso dentro deste contexto conceitual já que no Brasil não existe uma tradição de conservadores.
Obrigado, Aguinaldo, Abração
Guilherme
Hume está simplesmente pensando a propriedade, como muitos economistas liberais o fazem (por exemplo Von Mises) relacionando-a à natureza humana.
Já escrevi o que acho dos termos liberal e libertário no contexto americano. Também nos EUA sou claramente anticonservador. Lá sou libertário, ou libertariano. Liberal, nesse blog (salvo advertência em contrário) é a tradição de Locke, Kant, Von Mises, Nozick.
Sobre "valores judaico-cristãos": isso é simplesmente superstição, como toda religião. Eu defendo a máxima liberdade possível, o que não poderia ser defendido por nenhum cristão conseqüente.
Tudo bem professor?
Permita-me fazer uma indicação de leitura para o senhor, pois li essa crônica e lembrei de vc na mesma hora. É a crônica dessa semana do Millor que saiu na VEJA. Ele comenta a nova lei de trânsito e depois faz um comentário muito engraçado dos dez mandamentos de Moisés. Se puder, dê uma olhadinha depois, espero que goste.
abração,
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