20 julho 2008

Os carvalhos dão mel e os rios correm cheios de vinho e leite

“Se todo homem tivesse uma afetuosa consideração pelos demais, ou se a natureza satisfizesse abundantemente todas as nossas necessidades e desejos, os conflitos de interesse, que a justiça pressupõe, não poderiam mais ocorrer; e não haveria mais ocasião para se estabelecer aquelas distinções e limites de posse e propriedade que hoje se usam entre os homens. Aumentai até um grau suficiente a benevolência dos homens ou a generosidade da natureza, e tornareis a justiça inútil, preenchendo o seu lugar com virtudes muito mais nobres e bênçãos mais valiosas. O egoísmo humano é atiçado pela escassez de nossos bens, quando comparados às nossas necessidades; e é para restringir esse egoísmo que os homens se viram obrigados a se separar da comunidade e distinguir entre seus próprios bens e os dos outros”
(Hume)

“A razão reflexionante descobre bem depressa a instituição do Estado, que, surgindo do medo recíproco dos homens diante de suas forças recíprocas, evita tão amplamente as conseqüências prejudiciais do egoísmo geral quanto se pode fazê-lo por vias negativas".
(Schopenhauer)

5 comentários:

Guilherme Cantieri Bordonal disse...

Fala Aguinaldo beleza? Rapaz, esses dias eu te cumprimentei na UEL e não sabia que vc era vc mesmo. Eu estava com o Gabriel e perguntei: "quem é ele?", "é o Aguinaldo"... eu falei: "putz, não sabia, sou leitor do cara".... hehehehe.....

Mas ó, esse trecho do Hume é meio complicado hein? ele dá uma cutucada na propriedade, correto? E tenta descrever a genealogia da coisa..... mas esses dias eu estava lendo um texto do Russell Kirk, conservador no último grau, e ele falava sobre a dificuldade em se questionar valores presentes na sociedade por milênios e que talvez nunca chegaríamos a encontrar o fundamento desses valores, mas que deveriam ser respeitados pela simples tradição que os carregava por milênios. Estou de acordo com o Kirk, pois vejo no ataque feito à propriedade uma estratégia da esquerda em tomar tudo pra ela, e as experiêcnias com a esquerda mostram isso facilmente. Quer dizer, os esquerdistas afirmam que as desgraças do mundo são culpa da propriedade privada e do capitalismo, como se não houvesse problema no mundo antes disso, e acham que acabando com a propriedade podemos melhorar a estrutura dos relacionamentos entre os homens, e pra fazer isso eles começam matando todo mundo hehe, é engraçado né?
Sou meio radical com relação a propriedade, acho isso um valor fundamental e qualquer tentativa de ferí-lo como diz o Rosenfield é um passo para as ditaduras de esquerda.....
abração

Aguinaldo Pavão disse...

Guilherme.
Obrigado pelo comentário.
Até onde consigo ver, Hume em momento algum se coloca como crítico da propriedade. Em segundo lugar, o que o venerável senhor Russell Kirk fala só pode agradar a conservadores, não a liberais. Portanto, a mim não agrada.
Abraço.

Guilherme Cantieri Bordonal disse...

Vamos lá, vou tentar me posicionar novamente.
Entendo que o texto de Hume diz que o egoísmo humano é atiçado pelas faltas que nem a natureza, nem o nosso afetuoso relacionamento com os que nos cercam podem suprir. Desses dois problemas o homem se torna mais egoísta e elege determinadas coisas como dele para sua conservação.
Digo que Hume critica a propriedade por ver nela o resultado dessa precariedade da condição do homem, que se pudesse ser resolvida acabaria com a propriedade. O que afirmo é que a propriedade não é o resultado de um problema, mas um valor instituído e de proporções desastrozas se colocado em suspensão.

Vejo um problema no uso termos "Conservador" e "Liberal", isso porque, no contexto americano, onde podemos ter uma distinção mais clara, eles recebem significados diferentes dos trabalhados aqui no Brasil. Por exemplo, o "liberal americano" é o posicionamento que o senhor tanto critica aqui no blog, caracterizado pela defesa da intervenção do estado na economia e na transformação dos valores morais da sociedade. Segundo David Horowitz em "The politcs of the Bad faith", o termo liberal nos EUA está vinculado com os esquerdistas, ligados aos grupos globalistas, aos democratas e afins.

Os conservadores americanos lutam pelo livre mercado, pela manutenção dos valores judaico-cristãos e pelo uso da liberdade. Esses são os pilares dos autores conservadores que li até agora.

Quando penso em conservadors e liberais sempre penso dentro deste contexto conceitual já que no Brasil não existe uma tradição de conservadores.

Obrigado, Aguinaldo, Abração

Aguinaldo Pavão disse...

Guilherme
Hume está simplesmente pensando a propriedade, como muitos economistas liberais o fazem (por exemplo Von Mises) relacionando-a à natureza humana.
Já escrevi o que acho dos termos liberal e libertário no contexto americano. Também nos EUA sou claramente anticonservador. Lá sou libertário, ou libertariano. Liberal, nesse blog (salvo advertência em contrário) é a tradição de Locke, Kant, Von Mises, Nozick.
Sobre "valores judaico-cristãos": isso é simplesmente superstição, como toda religião. Eu defendo a máxima liberdade possível, o que não poderia ser defendido por nenhum cristão conseqüente.

Guilherme Cantieri Bordonal disse...

Tudo bem professor?
Permita-me fazer uma indicação de leitura para o senhor, pois li essa crônica e lembrei de vc na mesma hora. É a crônica dessa semana do Millor que saiu na VEJA. Ele comenta a nova lei de trânsito e depois faz um comentário muito engraçado dos dez mandamentos de Moisés. Se puder, dê uma olhadinha depois, espero que goste.

abração,