
Fidel Castro há quase dois anos estava afastado do poder por problemas de saúde. É claro que, formalmente, a renúncia tem significado. Mas o que isso quer dizer na prática? Fidel continua vivo, e certamente enquanto vivo e com suas faculdades mentais funcionando, não deixará de interferir nos rumos políticos da ilha quando assim achar conveniente. A ditadura comunista deixará de existir? Evidentemente, não. Notem que Fidel Castro passou o poder ao seu irmão, o ilustre Sr. Raul Castro. Que importância tem aos indivíduos que consideram a liberdade um princípio inegociável que Cuba tenha indicadores sociais acima da média na América Latina? Uma ditadura conseguir bons indicadores sociais não é nenhuma proeza.
Fidel afirmou em sua carta de renúncia:
"Meu dever elementar não é agarrar-me a cargos, muito menos obstruir a passagem a pessoas mais jovens, mas levar minhas experiências e idéias, cujo modesto valor provém da época excepcional que me coube viver. [...] Desejo somente combater como um soldado das idéias".
Ora, ora. Mas o dever elementar de qualquer ser humano é respeitar a dignidade moral dos outros, o que implica respeitar sua liberdade. Por certo precisamos considerar que a consciência moral de um ditador é algo bem especial. E ele diz que seu dever elementar é não se agarrar a cargos. Um ditador, que por quase 50 anos ficou agarrado ao poder, descobre agora esse “dever elementar”. E diz que quer combater como soldado das idéias. Um facínora dizendo isso!
3 comentários:
Hasta siempre!!
hehe...
Hasta siempre.
Ah, como são detestáveis os urubus! Que coisa, hein. Eles defendem a liberdade individual. Ora, bolas. Liberdade individual só pode ser coisa de liberal. E de liberal sem escrúpulos (existem liberais com escrúpulos?).
Mas cuide: é liberal, viu, não neoliberal.
Eu gostaria de aplaudir tão convincente texto.
De tantas coisas boas em Cuba, destaco a educação. Graças ao humanismo socialista, romântico, nobre e abarrotado de escrúpulos, praticamente não há analfabetos na paradisíaca ilha. Quiçá existam analfabetos políticos, mas isso não tem importância, pois seria perverter as visões sublimes de Brecht fazer reclames liberais servindo-se de sua memória. Bom, a educação é uma maravilha. Isso é bonito. Em nosso país, nosso querido Brasil, não há essa mesma preocupação do Estado com algo elementar para erigirmos uma sociedade de iguais. Pois bem, na amada ilha quase ninguém é analfabeto. Todos, ou quase todos, estão em condições de ler. Será que eu deveria ficar triste, lamentar, dar um murro na mesa devido ao singelo fato de que eles não podem ler “1984” Gerog Orwel? Claro que não. Quem são os cubanos para pensarem que podem eles decidir o que querem ler. Liberdade para ler obras que possam fazê-los questionar o regime? Ora isso é liberalismo inescrupuloso. Saí pra lá satanás! E viva a liberdade dos cubanos. Viva a igualdade. Que continue a amada ditadura do partido único. Afinal, as crianças são bem educadas. Ops, quero dizer doutrinadas ideologicamente. Mas que as crianças sejam doutrinadas ideologicamente, isso é apenas um detalhe. A liberdade é apenas um detalhe. E o PC cubano não acredita que Deus esteja nos detalhes. Sequer acredita em Deus, não é? Hasta siempre!
Oh! Belissíma acidez irônica!!
Obrigada por apimentar tão brilhantemente meu discurso, querido pássaro de cintilantes coloridos!! Pode dar um muro na mesa se quiser... rsss...
Ainda gosto de vc, tah!?!!hehe...
Bjo.
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