
Resumo de minha comunicação a ser apresentada no Colóquio de Marília
Kant defende, nas Lições de Ética, que a moral em Hobbes é em tudo dependente da autoridade política. Assim, Hobbes seria defensor daquilo que se costuma denominar “positivismo moral”. A comunicação tem como objetivo examinar a procedência dessa leitura. Defenderei a hipótese de que Kant foi precipitado ao considerar Hobbes como um defensor do “positivismo moral”. Procurarei mostrar que a leitura de Kant, embora possua alguns abonos favoráveis, enfrenta graves dificuldades, uma vez considerada a filosofia prática de Hobbes nos seus aspectos mais gerais. Enfatizarei, pois, que a compreensão de Hobbes como um defensor de que na moral tudo depende da autoridade política afigura-se uma leitura altamente restritiva do que Hobbes tem a nos dizer sobre moral. Por fim, defenderei que, em vez de inculpar Hobbes de defensor de um positivismo moral, Kant teria sido mais feliz se elegesse como alvo de sua crítica a defesa hobbesiana do Quod tibi fieri non vis, alteri ne feceris (Não faças a outrem o que não queres que te façam). Como se sabe, a tese de Hobbes segundo a qual a lei de todos os homens é “Quod tibi fieri non vis, alteri ne feceris” (L XIV § 5: 113) é explicitamente rejeitada por Kant na FMC. Acredito, assim, que a discussão desse princípio nos conduziria a um melhor entendimento das divergentes compreensões de moralidade em Kant e Hobbes.
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