16 setembro 2019

O charme da imodéstia

Esse negócio de estilo é algo terrível. Frequentemente, é ele e mais nada. Há pessoas cuja imodéstia cai mal, alguma coisa fica esquisita. Não sei se é só o ridículo ou a fraude mesmo.

Mas, em outros, a imodéstia é tão cheia de charme, tão saborosa.

Tenho um modo franco, fácil de insinuar-se e de obter crédito nos primeiros contatos.[...] Minha liberdade também facilmente me livrou da suspeita de fingimento, por seu vigor (não hesitando em dizer coisa alguma, por mais pesada e contundente que fosse) [...] Ao agir, não pretendo outro fruto senão agir, e não atrelo a isso longas consequências e projetos; cada ação faz seu jogo particularmente: que o lance dê certo se puder.
(Montaigne, claro).

O que seria de nós sem o autoengano, sem esse querido eu amigo para nos iludir?