09 fevereiro 2017

Por tua causa, meu prazer de viver é maior, obrigado

Não me lembro se ouvi de alguém, se li em algum lugar, se alguém disse que Nietzsche teria escrito, ou se alguém disse que alguém disse que Nietzsche teria escrito. Mas o lugar eu me lembro. Deve ter sido no Canhoto, pois tudo acontece lá, papos e leituras. Ou não. Bom, não sei. E não tem importância. O importante é o seguinte: eu faço dessas palavras as minhas palavras: “porque esse homem escreveu, o prazer de viver na terra é maior”. Era sobre Montaigne. E é legal isso, não acham? Esse lance da identificação, não é? Vale para qualquer coisa grandiosa (ah, tem de ser grandiosa) que lemos e sentimos, que lemos e sentimos que nada mais poderá doravante ser igual. Não são muitos, ok, ok. Mas não são também em número ínfimo. Lá fora o Sol se exibe com toda justiça. Não há como censurar tal exibicionismo. E Montaigne existiu, ou alguém que escreveu isso que recebe o título de Ensaios existiu. Bah, ando meio sensível com essas coisas, eu sei. É que para mim a filosofia se tornou algo bem emocional.