A conversa estava animada. Nós comentávamos sobre o primitivismo mental da esquerda na UEL. Defesa do pluralismo e tal. Sabem, não é? Pluralismo na discussão sobre cotas, desde que todos sejam a favor das cotas, heheheh...Tudo ia bem, muito bem, muito bem... Mas, .... vocês não têm ideia do que aconteceu. Alguém veio com a história de que a esquerda tinha medo da indicação do vereador Filipe Barros para o Conselho Universitário, visto que essa indicação seria o início do fim da boa vida do pessoal que gosta de fumar seu baseadinho atrás da Capela. Ai, ai, ai... Sentiram?
E eu: porra, mas que cagões, hein. Vão deixar de fumar por causa do vereador? E ele: sim, sim, a lei tem de ser cumprida, a UEL não deve ser uma terra sem lei. Eu: ui, ui..., claro, claro. Mas só me diz uma coisa: se é lei tem de obedecer? Só pelo fato de ser lei? Hum... E ele: sim, se é lei, tem de obedecer. Eu: não sei, não sei. No meu caso, se a lei é injusta, eu obedeço por prudência ou não obedeço. E ele: não interessa, o importante é que se obedeça. Eu: ah é? Não tem importância se a lei é injusta? Ele: sim, não tem. Se ela é injusta, você tem de tentar mudar, enquanto não mudar, tem de obedecer? Euzinho: eu tenho de tentar mudar a lei? Eu? Quem disse? Ele: é assim que funciona. Eu: tá, mas imagina que tenha uma lei que diga que você tem de tentar mudar a lei se você discorda de alguma lei. Ok? Mas e se eu discordo também dessa lei? Daí um cara ao lado, que ouvia tudo em silêncio, com a mão sustentando um belíssimo e pesado queixo, com cara de sujeito mui profundo, disse: “vá se fuder, seu maconheiro filho da puta, nós que te sustentamos. Vai ler Santo Tomás de Aquino antes de querer discutir lei, seu ignorante”. E eu já estava pronto para discutir as ideias de Aquino sobre lei e justiça, mas quando me lembrei que ele tinha falado "Santo", desisti. Aí já é demais.
Bah, na boa, é um páreo duro saber quem é mais tosco nesse negocinho de “UEL, direita e esquerda”. Imaginem o meu sofrimento, eu que só quero defender a liberdade e tomar minha Heineken em paz.
Ah, eu não apenas não me oponho à indicação do tal vereador para o Conselho Universitário. Eu celebro a indicação dele. Talvez o pluralismo da gritaria seja o precursor do pluralismo das ideias. Talvez, talvez.