Renúncia, humm...Eu gosto de pensar nisso. Imaginem a Dilma tendo de vir a público anunciar ou simplesmente explicar-se sobre sua renúncia. O que ela diria? A pose de vítima é o que mandaria o protocolo. Mas como ela faria isso? Como, e isso é mais interessante ainda, como ela tomaria essa decisão? Ela seria capaz de tomar essa decisão? Dá pra imaginar a Dilma, em sua solidão humana, decidindo pela renúncia?
Ela decide, com resolução inegociável, e comunica ao Lula. “Lula, vou renunciar”. “Mas, querida...”. “Não, está certo, vou renunciar”. “E a companheirada, querida?”
Talvez eu esteja muito enganado, mas renúncia parece envolver algo que não se pode esperar da Dilma. Nem penso na grandeza do gesto, mas na afirmação da individualidade. O ato de renúncia parece interditar a abstração da individualidade. E em que atitude, gesto ou palavra percebemos individualidade na Dilma? Como pensar a afirmação da individualidade de uma criatura, de um ser forjado? Como pensar a afirmação da individualidade dentro de um grupo quase religioso, uma irmandade de camaradas que muito pouco prezam o indivíduo. Renúncia é coisa para indivíduos minimamente densos, ou com inclinações de fragilidade trágica, o que não parece o caso da Dilma (não penso em qualquer renúncia, mas a renúncia da presidência da República. Uau!). Ela é dura, sisuda, fria. Renúncia combina com alguma emoção.
Bom, sei lá, talvez ela até renuncie, mas isso seria não exatamente a renúncia dela, mas a renúncia do PT. Ela não é ela. Ela não parece um indivíduo. Ah, meu pai, como fazem falta indivíduos na política, indivíduos na vida... Ah,...como eu sofro.