26 março 2016

O outono, a Dilma e eu

Ah, pessoal, na boa, cansei. Sei que não é o cansaço derradeiro (será que não?). Vocês sabem que eu gosto de política, que tenho as melhores opiniões sobre o assunto, mas não sei, não sei... Alguma coisa me enfada nessa balbúrdia de militantes (i. é, militontos) contra impeachment de um lado, soldados leais aos sagrados valores da honestidade e moralidade na política, de outro. Petistas versus beatos, corruptos versus éticos. Bandeira vermelha contra bandeira do Brasil. Bah, eu quero que se fodam todas as bandeiras. 

Tá mal esse discurso  - na verdade, os discursos a favor e contra impeachment. Tá faltando alguma coisa. Pensem em mim, tentem me sensibilizar. Acreditar nos nobres propósitos de um juiz? Humm, não. Governo? Não, não, jamais. 

Pow, tem coisas que me tocam mil vezes mais nesse momento. Por exemplo, o outono. Por exemplo, Cecília Meireles.


tudo é vão, tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...



Canção de outono


Perdoa-me, folha seca, 
...

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...


Cecília Meireles