18 dezembro 2014

Explicações

A conversa com um respeitável liberal me exigiu um pouco de paciência. Tive de argumentar, explicar-me, sobre minhas razões para discordar da atitude desse tal Bolsonaro. Repeti para ele, que já tinha lido no FB eu mandar Bolsonaro e Maria do Rosário se fuderem, a ideia de que inimigos de meus inimigos não são, por esse simples fato, meus amigos. Portanto, Bolsonaro,embora esteja combatendo um “inimigo” meu (PT, Lucianas Genros, Marias do Rosário e outros liberticidazinhos) não se torna, por causa disso, meu amigo. Considero-o um liberticida também, um defensorzinho babaca da ditadura militar, defensor de ideias ridículas sobre homossexualidade, um machão de mesa de bar.

Vejam, ele ligou estupro (sempre uma forma de agressão inicial) ao merecimento. Eu só entendo como legítima a violência defensiva. E não adiantou ele ter alegado que suas palavras eram uma reação irônica ao que tinha dito a Rosário (pois o babaca repetiu as mesmas palavras depois, no plenário). Ela o agrediu verbalmente (“estuprador”), mas isso é uma coisa que, no meu direito natural, nem chega a ser agressão. Ele, de um certo modo, também a agrediu verbalmente (verbalmente, pois dizer que ela merecia ser estuprada é muito diferente de estuprá-la). Portanto, sob esse aspecto, nem um dos dois cometeu crime algum (de acordo com o que venho defendo – já faz tempo – a respeito de autênticos atos de violência). 

Claro que sou contra qualquer cassação de mandato de um ou outro dos imbecis. Acontece simplesmente que é injustificável a tese dele (mas ele tem o direito de defender teses injustificáveis). Quem estupra merece punição. Quem é estuprado é sempre vítima. Sempre, sempre, ouviu bem? Então, para de enrolar, sem essa conversinha mole. Pede desculpas para aquela idiota. Nem vou falar do seu séquito de “precisamos de um líder”. Coitados. Meu pai do céu.

O liberal, cara razoável, acabou concordando comigo.

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