No salão de entrada, era grande a movimentação. O painel das senhas mandava pessoas para três recintos que juntos somavam - se não me engano - mais de 100 guichês.
Algumas pessoas reclamavam da fila no salão de entrada. Senti vontade de dizer: "notem, meus camaradinhas, olhem, prestem bem atenção, não é a fila o problema, o problema é o estado". É o estado que me ameaça por causa de um maldito título eleitoral. Se a própria existência do estado não constituísse, por si só, um atentado à liberdade inata que possuímos de sermos senhores de nossas vidas, o estado exige que eu seja eleitor, ele impõe voto obrigatório e fica brincando, de tempo em tempo, de cadastramento e recadastramento, recolhendo meus dados, minhas impressões, roubando meu sagrado tempo. O amaldiçoado estado me tira do aconchego da minha casa e me coage a ir a um local para que ele, perverso animal, me controle e, assim, exponha com contundência minha condição de servo do seu arbítrio (i.é, do arbítrio de seres desprezíveis como Dilmas, Renans e Barbosas).
O estado é a organização social que visa a manter o monopólio do uso da força e da violência em uma determinada área territorial [...]. O estado obtém o seu rendimento através do uso da coerção; isto é, pelo uso e pela ameaça de prisão e pelo uso das armas. Depois de usar a força e a violência para obter a sua receita, o estado geralmente passa a regular e ditar as outras ações de seus súditos.
(Rothbard. A anatomia do estado)

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