Os protestos em Wall Street e o capitalismo
Goriot e Poiret, filhos de um vizinho aqui do condomínio (um com 7 e outro com 5 anos), pediram minha opinião sobre os protestos em Wall Street. Aqui vai.
O que me chama atenção são algumas vozes que lá estão a bradar contra o capitalismo. E fazem isso, muitos deles, motivados pela ajuda que Estado deu aos banqueiros. Duas coisas desconcertantes, a meu ver. A ajuda estatal concedida aos donos de bancos é uma ação coerente com o capitalismo? Eu me inclino intuitivamente a responder pela negativa. As pessoas gostam de malhar o capitalismo e a linguagem política auxilia esse passa-tempo. Veja, quando falamos em (a) socialista e (b) capitalista. O uso de (a) como qualificador de crenças políticas de uma pessoa é perfeitamente compreensível. Já o uso de (b) com a mesma finalidade soa insólito. Ele é socialista significa (em geral) que ele é defensor de idéias socialistas. Já “ele é capitalista” passa a imagem de que ele é possuidor de capital, rico. Não usamos a palavra capitalista como usamos a palavra socialista. Quando queremos dizer que o camaradinha defende o capitalismo o chamamos - aqui e não lá - de liberal (não há um partido capitalista como há um partido socialista ou um partido comunista). Isso mostra que o uso comum das palavras já confere certa vantagem para os socialistas ou simplesmente para os anticapitalistas. O capitalista pode ser o ganancioso, egoísta, preocupado apenas com o empilhamento de moedas. O socialista é bonitinho, filantropo, sensível às necessidades dos menos favorecidos. Estou me referindo a essas palavras por que talvez haja um probleminha de linguagem com essas senhoras e senhores que protestam em Wall Street. Talvez algo como uma falácia da ambigüidade. Note a expressão “sistema capitalista”. Muitas pessoas que estão lá em Nova York protestando – acho que a maioria - creditam as coisas más ao sistema capitalista e aos capitalistas. Mas isso soa equívoco. Por que você tem certamente razão em criticar o homem capitalista que quer lucros privados obtidos com generoso apoio do dinheiro estatal (isto é, do dinheiro tirado à força de outros proprietários – pois lembre-se, no mínimo, o sujeito tem de ser proprietário do seu dinheiro para pagar impostos). Mas talvez você não tenha razão nenhuma em criticar o “sistema capitalista”. Talvez você não consiga erguer um argumentozinho contra o sistema de livre mercado, de trocas voluntárias. De fato, nada do que essa turminha de Wall Street revelou ao mundo pensar, nem mesmo com seus queridinhos Krugmans da vida, representa um argumento contra a liberdade de vender e comprar. Nesse sentido, eles são uns bocós falando mal do capitalismo sem saber o que o capitalismo significa.
2 comentários:
Aguinaldo,
interessante seu comentário sobre os conceitos de capitalismo e socialismo. Ninguém se autodenomina capitalista. E, quando o sujeito defende ideias liberais, passa a ser visto como magnata ou traidor da classe. Outro dia alguém disse que eu só defendo a economia de mercado porque nunca andei de ônibus nem sei o que é uma conta a pagar... (Por falar em dívidas, devo-lhe umas cervejas no Nonoca.) Abraço.
Briguet.
Felizmente, eu não tenho esse problema. Acusam-me de algo que, em tese, tenho sempre que admitir: “você é um equivocado”. Olha, sobre essa dívida, sinceramente não me lembro. Acho que já estava um pouco alto. O que me lembro é que você me deixou sozinho lá. De todo modo, aceito o pagamento. Abraço.
Postar um comentário