02 Abril 2011

Jair Bolsonaro

Atendendo aos pedidos. Milhares de e-mails todos os dias, dos quatro cantos do mundo, pedindo que eu manifeste minha truanesca opinião sobre o assunto.

Defesa da ditadura militar? Como? Eu não reconheço autoridade moral alguma em quem proíbe as pessoas de falaram o que pensam, ou seja, de exercerem o sagrado direito à autopropriedade de seus corpos (e mentes). E tampouco faria contrato com militares para eles assumirem o controle do Estado por causa de ameaças comunistas. Direito dos homossexuais? Sim, visto que direito dos indivíduos. Já escrevei bastante sobre isso. Sou evidentemente contra as bobagens que esse tal Bosonaro fala. Mas também acho ilegítimas as reivindicações desses movimentos de GLS que acham que é crime ser preconceituoso.

Pronto, toquei na questão central. É crime ser preconceituoso? Eu digo que é deplorável ser preconceituoso. Geralmente associamos, corretamente, preconceito à ignorância. Mas é crime ser ignorante? É crime estar equivocado? Acho que não. Sendo assim, declaro minha total aversão às opiniões dos Bolsonaros e Pretas Gil da nossa queridinha pátria amada, idolatrada, salve, salve.

4 comentários:

Paulo Briguet disse...

Caro Aguinaldo, vejo que concordamos nesse assunto. Sou um leitor silencioso do seu blog, ao qual geralmente tenho apenas uma crítica mais séria: o baixo número de posts.
Sei que é pretensão de minha parte achar que você lê meus textos, mas peço-lhe que dê uma olhada na crônica "Reductio ad Bolsonarum", cuja versão integral foi publicada hoje no site do JL. Como dizem as empresas de telemarketing, sua opinião é importante para nós. (Mas no meu caso é verdade!)
Cordial abraço,
Paulo.

Aguinaldo Pavão disse...

Caro Paulo Briguet.
Eu também sou um leitor silencioso das tuas crônicas. É claro que li a "Reductio ad Bolsonarum". Não me surpreende tua lucidez sobre esse assunto. Mas fiquei curioso em saber qual tua opinião a respeito de casamento gay, adoção por homossexuais e descriminalização das drogas. Você é a favor? Será que concordamos também sobre isso?
Abraço.

Paulo Briguet disse...

Caro Aguinaldo, aqui vão minhas opiniões (ou opiniães, à la Guimarães Rosa).
Casamento gay: Costumo dizer que sou a favor, mas não comigo (rs). Sou favorável à união civil entre pessoas do mesmo sexo... se assim elas quiserem. É uma questão de liberdade de escolha individual. Por que os gays não podem ter os mesmos direitos dos héteros? Ademais, há um ponto que nem sempre é mencionado: quando gays decidem se casar, eles naturalmente pensam em formar uma família. E isso é muito bom – até mesmo sob o ponto de vista cristão. Ao contrário do Bolsonaro, eu não bateria no meu filho se ele vier a ser gay, mas gostaria muito que, gay ou não, ele formasse uma família e se mantivesse longe da promiscuidade. O que nos leva ao outro ponto:
Adoção por gays: Imagino que os contrários à adoção de crianças por homossexuais queiram adotar dezenas de órfãos... A questão, na verdade, é muito simples. Se há crianças que desejam ter uma família e famílias que desejam ter uma criança, por que o Estado tem de colocar o seu nariz sujo no meio só para atrapalhar? Além disso, crueldade, perversão e vilania não são exclusividades dos homossexuais – o Mal, e não o bom senso, é igualmente dividido entre os homens. Os fantasmas que pairam sobre a adoção permanecem iguais, não importa se falamos de hetero ou homossexuais.
Drogas: Costumo dizer que sou pela liberação, mas não para o meu filho (rs um tanto preocupados...). É o básico do livre-arbítrio: usa quem quiser. Acho que a liberação completa é uma boa ideia a longo prazo, mas, no momento, impraticável. Temo que liberar as drogas no Brasil acabaria gerando monstros como uma estatal “Maconhobrás” (li isso em algum lugar). Meu querido Milton Friedman era defensor convicto da liberação. Mas eu acho o processo que teria de começar pelos Estados Unidos, que são os maiores consumidores. Se começar pelo Brasil, vai atrapalhar e atrasar por uns 50 anos a liberação em outros lugares.
Perdoe o tamanho das respostas, mas não tive tempo para ser breve!
Abraços,
Paulo.

Aguinaldo Pavão disse...

Caro Briguet.
É muito interessante saber tuas opiniões a propósito de tais assuntos. Há tempo alimentava curiosidade. Fico feliz em perceber a notável coerência no teu liberalismo. A respeito das drogas, não tenho o mesmo temor teu. No fundo, meu anticonsequencialismo não é perturbado quando se trata de descriminalização das drogas (embora, às vezes, ele se deixe perturbar).
Grande abraço.