Interesses econômicos e qualidade do ensino
Por vezes se houve a ladainha: não podemos permitir que os interesses econômicos se sobreponham à qualidade do ensino. Essa cantilena serve para vários propósitos: para impedir que pessoas exerçam certas profissões (veja o caso do exame da OAB), para mostrar quão moralmente podre é o capitalismo, ou simplesmente para dizer “vejam como sou bonitinho, me preocupo com a qualidade do ensino”. Mas, no fundo, essa conversa é uma grande asneira. A qualidade de qualquer bem, e o ensino é um bem, depende de interesses econômicos. De fato, se ninguém se interessasse economicamente, como poderíamos ter à disposição algum bem? O ensino não cai do céu. Logo, alguém tem de trabalhar para que ele possa ser ofertado e comprado (acho que ainda podemos considerar o trabalho uma atividade econômica, não?). Se não fosse assim, ninguém poderia usufruí-lo. Claro, muitos pensarão. Ah, mas o Estado tem de ter preocupações morais, interesses mais nobres. O Estado não pode ficar à mercê do egoísmo dos agentes econômicos. O ensino não deve ser tratado como uma mercadoria. E blábláblá. Mas por que o ensino não deveria ser tratado como uma mercadoria? Veja: o Estado tem um interesse econômico tão voraz que tira do bolso das pessoas, sem ter feito nenhum contrato com elas a esse respeito, o dinheiro para construir escolas e pagar funcionários, professores, empresários que fornecem tijolos, cimento e outros insumos. Para fazer isso, pergunto: o Estado age sem interesse econômico (seria ótimo, poderia parar de exigir, sob coerção, uma parte de nossas rendas e bens)? O Leviatã não está economicamente interessado no bolso dos seus súditos? Seria impossível falar em ensino sem que alguém financiasse essa atividade. Se isso for verdade, é preciso pessoas economicamente interessadas para que haja ensino (de qualidade ou não). Sem interesse econômico não há qualidade de ensino. Não há sequer ensino. E não interessa a motivação das pessoas. Alguém pode construir uma escola por amor à educação e nada cobrar de seus alunos. Mas se alguém quiser construir uma escola e cobrar dos interessados em nela estudarem, esse alguém estaria fazendo algo muito mais honesto do que, a fim de oferecer ensino de qualidade, passar a mão no dinheiro de outros e posar de agente acima dos interesses econômicos, como faz o Estado.
7 comentários:
oi professor, o movimento no blog tem diminuido bastante ultimamente.
Não tem nada de errado mesmo num individuo vender educação, mas o disse falou como se o estado estivesse cometendo uma falta moral,
eu acho que o bem pretendido pelo Estado é ter profissionais de qualidade, esse bem tem como condição necessaria uma boa qualidade de ensino, é um bem tambem pra cada inviduo mesmo aqueles que não dependem das instituições publicas, pois se seus vizinhos mais pobres tiverem uma boa educação provida pelo Estado, consequentemente, tambem terão trabalho e condição de sustentar suas familias, esse tipo de circunstancia é favoravel para um convivencia pacifica entre os individuos, nesse caso ter de pagar impostos para manter a educação daqueles mais pobres não me parece um mal negocio.
Se for um bem para todos os indivíduos, frise- se todos, que seus vizinhos mais pobres sejam bem educados, então seria verdade que todos os indivíduos poderiam estar dispostos a pagar alguma entidade filantrópica que fosse responsável pelo repasse do dinheiro às pessoas carentes de educação. Mas isso simplesmente não é verdade. O que ocorre é o uso da violência, isto é, da coerção estatal. É assim que se recolhe dinheiro para a construção de escolas e oferta de ensino. E se não for um bem para todos, mas apenas um bem para a maioria, quer dizer, se for “um bom negócio” para a maioria permitir que o Estado a coaja a financiar a educação pública, nesse caso, pode-se dizer que há ilegitimidade, pois um indivíduo apenas, somente um, sozinho, solitariozinho, que não concordar com o pagamento terá de sofrer coerção. Ora, a coerção, quando não representa autodefesa, é ilegítima.
mas por vezes o individuo solitario se recusa a contribuir para o bem comum por uma simples incapacidade de prever o resultado final das suas ações, por isso mesmo não existe tal entidade filantropica mas ao invez disso o Estado que usa força e coerção como o senhor diz, me parece que as consequencias de um individuo que se omite na contribuição ao bem comum não são sofridas só por ele mas se por acaso o não desejo de contribuir do tal individuo acabar por impedir que os mais pobres tenham educação e trabalho e tenham de ir ao crime, aplicando isso as massas o resultado é um "mal comum".
Se um individuo tiver de sofrer alguma coerção financeira por parte do Estado para o fim do mesmo se preservar, não há injustiça sendo cometida, apenas um sacrificio relativamente leve feito por um, para que se assegurar ao menos o direito de uma vida pacifica a todos.
SOBRE OS LIMITES DO INDIVÍDUO
Se o ponto é qualidade de ensino, poderiámos inciar com a pergunta quais as condições necessárias para sua efetividade? Para isto precisamos fazer algumas relações conceituais: ensino, educação, sobrevivência, felicidade...
A educação que inicia nos primeiros anos de vida, no ambiente familiar, tem a função de mostrar os limites individuas na relação com os interesses coletivos e socias, incluindo as instituições e o estado. Sem coerção, dos pais, das instituiçoes e do estado, não há educação. E sem educação um idivíduo não pode viver em sociedade.
Os indivíduos, as instituições e o estado que organizam o ensino (copetênicias e habilidades) se movem pelo necessidade/desejo de se perpetuarem. Suas necessidades são meteriais(econômicas) e morais, respeito ao coletivo (instituiçoes e estado).
Viver em sociedade implica em respeito a limites determinados (com flexibilidade), entre os quais pagar impostos para manter o estado e instiutições que ajudam a na estabilidade e na ordem social. Para que o minimo de segurança seja garantido para o indivíduo, o econômico, o ensino e a educação devem se relacionar harmonicamente. Esta harmonia depende do estado e das instituiçoes. Nas sociedade primitivas - passado- esta harmonia era tarefa do cacique ou chefe da tribo. Nas sociedades de hoje cabe aos idivíduos que vivem em sociedade sustentar economicamente o estado e as instiutições públicas... Nas sociedade do futuro, algum idivíduo poderá provar que não precisa do estado, nem ao nascer quando se registra (não irá se registrar) como cidadão e, por isto não deve pagar impostos... A propósito, hoje temos individuos que vivem desa forma, não estão registrados e não pagam impostos.
Por que não haveria educação sem a coerção estatal? Será que é tão evidente assim a necessidade do estado para a educação? Tenho sérias dúvidas. Concordo que a educação de uma criança implica imposição unilateral de limites. Contudo, Israel, não consigo ver aí nenhuma necessidade do Estado. E também não vejo qual seria a necessidade da autoridade política para a coexistência social dos indivíduos, ao menos não vejo nada evidente nesse ponto. No mínimo, acho que deveríamos considerar a existência do Estado como algo questionável. Do contrário, transformamos o Estado numa entidade sacrossanta.
Uma vez que um indivíduo é vítima de violência, de nada adianta falarmos em “leves sacrifícios”. Com que direito alguém assume o título de juiz do tamanho do sofrimento que outro ser humano merece? (Que se limite a ser juiz do grau do sofrimento que ele acredita merecer dos outros). Nenhum ser humano merece sofrer violência sem ter causado, antes, violência. Ponto final. Essa história de “leves sacrifícios” deveria vir acompanhada explicitamente da defesa de um “tribunal das injustiças”, assim como esse nome mesmo, para deixar claro do que se trata. Pois se trata de defender, no fundo, uma instância que determinaria quão leve ou pesado seria o sacrifício. Isso é tirania, injustiça pura e simples. O pior é que é nela que vivemos. Não, não: o pior é defendê-la.
professor, fiz um comentario usando o nome -Guin o leopardo- por que esse é o nome que uso quando comento em outros blogs, se senhor deixor de publica-lo por eu não usar meu verdadeiro nome ta ai minha identificação.
Vanderson do curso de filosofia da uel.
Estimado amigo Aguinaldo!
No mundo ideal seremos todos livres, sem coersão, devemos defender o mundo ideal, mas o fato é que vivemos no mundo real, onde todos somos influenciados pelo contexto e agimos a partir de onde pisamos, onde o estado se faz necessário para evitar o caos.
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