28 novembro 2010

O traficante e o dono do bar

Direto do Rio de Janeiro


O mal não é o tráfico. O traficante não é mau por ser traficante. O mal é encontrado quando se inicia agressão contra outrem. O homem mau, aquele que merece sofrer coerção, deve ser aquele que mata, destrói propriedades alheias, impõe a obediência pela força; enfim, atenta contra a liberdade de outra pessoa. O mal é representado pelo Estado que acredita ser crime alguém vender maconha - como se isso fosse moralmente diferente de se vender uísque. Não há crime em ações consensuais. Ora, não havendo vítimas nessas trocas voluntárias, não há que se falar em crime se quisermos conferir algum sentido moral a esse termo.


Qual a diferença entre um traficante e um dono de bar? O dono de um bar vende cerveja. O traficante, a exemplo do dono do bar, também vende drogas. Se alguém afirmar que a diferença reside no fato de que o traficante pratica o comércio de drogas ilegais e o dono do bar o comércio de drogas legais, ele estará dizendo a verdade, mas apenas a verdade factual e deveras bucólica. Pergunto pela diferença moral. Ah, dirá outro camaradinha, o traficante não obedece às leis ao passo que o dono do bar sim. Ok, mas no fundo a resposta continua a mesma. O critério da diferença seria aquele estabelecido pelo senhor Leviatã que impõe suas malditas regrinhas pela força. Eu quero saber qual a diferença que o direito natural poderia estabelecer nesse caso. Não vejo nenhuma.


Se os homens que representam a lei positiva fossem coerentes, eles deveriam perseguir e prender os compradores de drogas e não apenas os vendedores. Se é crime o comércio de drogas, há criminosos dos dois lados do balcão. Mas por que a polícia não persegue os compradores? Por que são doentinhos? Dependentes químicos? Vítimas do narcotráfico? Ora, ora, ora. Pobres bebezinhos. Não, não, não! Não são vítimas coisas nenhuma. São seres livres, assim como são livres os traficantes. O problema está tão-somente nos grilhões do direito positivo, que visa a impedir o legítimo uso que os indivíduos fazem de sua liberdade.

7 comentários:

Vampira Dea disse...

Pois é os mesmos que reclamam são os mesmos que sustentam e todos pagam

Francielly Venancio disse...

Realmente Professor, por um questão de simples coerência, ou as dorgas legais deveriam ser proibidas ou as ilegais legalizadas, moralmente falando não há diferença nenhuma entre elas. Com relação aos usuários, sejam de qual tipo de drogas, mesmo que possa ser alegado em sua defesa vício/doença, o "primeiro uso" foi uma ato livre do arbítrio, e portanto pode ser imputado.

(Espero não ter me atrapalhado, isso acontece certa frequência)


Abraços

Aguinaldo Pavão disse...

Vampira, eu penso que no fundo quem sustenta os crimes em torno do tráfico (que, por si só, não deveria ser considerado crime) é o Estado que proíbe trocas voluntárias entre indivíduos. Eu diria que o Estado sustenta moralmente toda a criminalidade em torno do tráfico. Os usuários apenas sustentam financeiramente.

Aguinaldo Pavão disse...

Francielly.
Muito bem dito. Mesmo esses indivíduos viciados, que não chegam sequer a 20% do total de usuários de drogas, são absolutamente livres e responsáveis pelo que fazem. Toda a fragilidade da vontade (arbítrio) deriva de uma força inicial da vontade (arbítrio)em assumir a máxima do consumo de drogas (em geral).

Anônimo disse...

"O mal não é o tráfico. O traficante não é mau por ser traficante. O mal é encontrado quando se inicia agressão contra outrem".


Professor neste caso existe dois momentos, um o traficante gente boa, que chega: Ora vc quer uma droga? Sim tudo bem quero. A quantos? 5 gramas. tá ok. Obrigado. E depois tem o traficante Despersonificado do bem que bota no fogo no corpo de um pessoa e depois arranca os dentes para não reconher pelo DNA.

att.

JULIO C. SOUZA

Aguinaldo Pavão disse...

Caro Júlio.
Se entendi o teu ponto, você apenas reforçou o que eu disse no post. O traficante não comete moralmente crime por ser traficante.

Dimitri disse...

Sim, o que vemos é uma comoção a larga escala que comete outros grandes delitos. O tráfico gera outros gêneros de violencia(assaltos a bancos, sequestros, latrocínios e afins) além da mera droga(ahh, se fosse maconha meramente o problema do Brasil). Se fosse só o problema da droga maconha, acho que não seria um problema real a diferença de um traficante para um dono de bar, com suas bebidas.