Chegando uma raposa a uma parreira, viu-a carregada de uvas maduras e formosas e cobiçou-as. Começou a fazer tentativas para subir; porém, como as uvas estavam altas e a subida era íngreme, por muito que tentasse não as conseguiu alcançar. Então disse:- Estas uvas estão muito azedas, e podem manchar-me os dentes; não quero colhê-las verdes, pois não gosto delas assim.E, dito isso, foi-se embora.(“A raposa e as uvas”. Fábula atribuída a Esopo)
Desejo, mas não posso alcançar. Hum, que tal convencer-me que não desejo? Baita saída. É só pintar com outras cores. Claro que o melhor seria não desejar o que não se pode alcançar, mas desejamos o que não podemos alcançar, pois nos falta autoconhecimento e, quando temos autoconhecimento (depois de tanto batermos a cara contra o muro), falta-nos sabedoria (o teórico e o prático soltam as mãos).
É assim que caminha a humanidade, disse-me o Miquitinha. “Nada de novo sob o sol, professor”. E eu: “Nada, Miquitinha? Nem um ar mais fresco e inspirador?”
