Helena... Helena, meu amor, olha aqui pro pai.
Meu amor, hoje você faz 2 meses. Sabe, meu bem, às vezes parece que meu coração não vai suportar tamanha a emoção que sinto ao contemplar teu rostinho, minha vida, minha lindinha.
Queridinha, eu não quero te aborrecer dizendo que te amo, te amo, te amo. Eu não acredito na nobreza do sentimento do amor; acredito sim na nobreza das ações. Mas nossas ações falam por si, não é mesmo minha princesinha? E declarar meu amor talvez possa ser apenas uma forma de pedir teu amor. Você tá agitando as perninhas e os bracinhos assim por quê? Porque sabe que eu to pedindo teu amor também, não é? É, meu bem? Claro, querida, é obvio que peço teu amor por mim.
Mas agora, pelo menos conscientemente, não quero pedir nada. Só quero declarar e agradecer, meu docinho. Declarar como tua vinda me forneceu, e fornece a cada dia, um alimento vital. Querer ser um bom pai, desejar teu sorriso, falar contigo, ouvir os teus “aaaaaa", "ooooo”, perceber teus olhinhos descobrindo o mundo, cuidar de teu corpinho frágil, te ter em meus braços, sentir você se acalmando em meu colo, prover algumas de tuas necessidades. Ah, meu bem, essas coisas compõem para mim um mundo novo de aspirações que nutro a partir de teu nascimento. Me sinto mais ligado à vida, à vida que viceja em você, meu amorzinho. Eu não tenho um deus a quem agradecer esse acontecimento maravilhoso da tua existência, mas tenho você, minha princesa amada. Então, agradeço a você a tua própria existência, à dádiva que você é em minha vida, meu lindo amor. Agradeço à tua mãe, a nossa deusa humana, que nós tanto amamos e que tão bem cuida de nós dois. Agradeço à vida em você, minha gatinha. Viva a vida, viva a Helena!
Hum..., vai começar a chorar? Não entendeu nada do que o pai disse? Sério? Ora, ora, ora. Não tem importância, lindinha. Não tem importância. O importante é você ouvir a minha voz. Deixa eu te beijar.
