Ontem, o Inter empatou com a Ponte Preta no Beira-Rio por 1 x 1. Com isso, praticamente encaminhou seu rebaixamento. Caso o rebaixamento ocorra (a probabilidade é de mais de 60%), será um acontecimento muito mais doloroso que a derrota para o Mazembe no Mundial de 2010.
Incomoda-me tremendamente a dificuldade que tenho de entender meus sentimentos em relação ao Sport Club Internacional. Caramba, como sofro por causa desse time. Por que simplesmente não paro de me envolver emocionalmente com algo cujas promessas de alegria se afiguram diminutas, ou não compensadoras, diante de dores anímicas tão aflitivas? Por que estou impedido de dizer "a vida continuará a mesma com Inter na Primeira ou na Segunda divisão" ("segunda divisão, nossa, já me dá um frio gélido na alma só de falar). Não sei exatamente por que estou impedido, mas o fato é que a vida não será mais mesma. Decididamente, a vida não será mais a mesma.
Com a queda do Inter será aberta uma ferida que jamais curativo algum poderá cicatrizar. Ó, meu Inter, tu que estampas orgulhosamente o feito de nunca ter sido rebaixado.... Ó, time do meu coração, tu padeces agora de uma vertigem mortal que te levará ao poço sem fundo da vergonha nacional. Tu, a "glória do desporto nacional" ... Tu, que desde meus 7 ou 8 anos, estás instalado em meu peito.
Mas quem és tu? Sim, quem és tu, ó Inter? És um time de futebol. Vejam só. Que relação é essa que temos, tu e eu? Como seria falso se não corrigisse e dissesse que não és apenas um time de futebol. És mais, muito mais. Mas como podes ser assim tão importante?
Deixo aqui o link do histórico, memorável e brilhante, sob todos os aspectos, texto publicado no blog em 25/05/2008 intitulado "Por que sofrer com o futebol?" (texto que despertou o interesse da poderosa Zero Hora, que o publicou em 28/09/2008). Foi uma tentativa de me entender e, talvez, entender o que ocorre no coração de qualquer torcedor de futebol, especialmente daquele torcedor mais envolvido sentimentalmente com seu time. É a pura filosofia aguinaldiana, sempre navegando no superficial e beliscando o profundo.
