Se você imagina que a outra pessoa não ficará sabendo que você fala mal dela, isso não seria como se você estivesse apenas pensando coisas sobre ela e não propriamente falando mal dela? Da mesma forma que, é claro, se algum conhecido fala mal de você para outra pessoa, mas não fala o mesmo na tua frente, não seria como se ele apenas acalentasse maus pensamentos sobre você? Que importância tem a opinião alheia? Por que uma pessoa seria desprezada apenas pelas costas? Não é facilmente previsível que pessoas próximas a nós tenham certos maus pensamentos sobre nós? Sim. Penso simplesmente que elas vêem defeitos em nós. Feio, chato, mesquinho, burro, egoísta, interesseiro, covarde, invejoso, superficial, bajulador, ridículo. Muitos são amigos nossos. Pensar coisas desagradáveis sobre outras pessoas parece ser menos grave do que falar mal de outras pessoas. A maledicência em nada parece uma qualidade digna de elogio. Mas talvez a diferença entre falar mal e pensar mal seja muito pequena. Por certo, nos metemos em encrenca quando pessoas que, de alguma forma, prezamos ficam sabendo de nossas desabonadoras opiniões sobre elas. Mas não deveríamos perdoar isso, não dar bola? Pois o importante é que a pessoa na nossa frente não nos despreza. No fundo, somos tolerantes com a falsidade. Nada de mais. E somos tolerantes até certo ponto, claro. Pascal não disse nada original quando escreveu que
“se todos os homens soubessem o que dizem um dos outros não haveria quatro amigos no mundo. Isso se vê pelas querelas que provam as indiscrições s ocasionais”.
Nem Russell falou algo novo ao dizer que
“se a todos nós fosse concedido o poder, como num passe de mágica, de ler a mente uns dos outros, suponho que o primeiro efeito seria que quase todas as amizades se desfariam”.
Valerá mais sermos apenas respeitados pela frente, mesmo que desprezados pelas costas? Talvez essas perguntas estejam mal colocadas. Vejam, não estou pensando nas pessoas com quem em geral temos contato (elas não contam muito), mas nas pessoas mais próximas, que chamamos permissivamente de amigos. Evidentemente, há limites para nossa tolerância diante do fato de que eles falam mal de nós. Mas em geral toleramos. Há algumas pessoas que se preocupam mais do que outras. Não parece patético o seguinte dialogo entre amigos:
– O que você pensa sobre mim?
– Você é um cara legal.
– Ah, mas me diga tudo que você pensa sobre mim, as coisas boas e as coisas ruins.
– Tudo?
Ora, essa vontade de querer saber tudo que uma pessoa pensa sobre nós nao me parece nada higiênica. Eu não quero saber.
A educação como mercadoria
20 horas atrás
8 comentários:
Nossa, parece que tirou os pensamentos do meu cérebro e os escreveu com palavras mais bonitas que imaginei, rs.
Concordo contigo, também não quero saber o que pensam sobre mim. Não é "não me importo", é só "não quero nem imaginar!"
Professor:
Realmente o que importa não é a opinião que os outros têm ao nosso respeito(independente se os 'outros' são distantes ou próximos a nós), afinal alteridade não é uma virtude muito comum.O que realmente conta é a imagem que construimos de nós mesmos, e, querendo ou não saber, vale focar-se no legado do conhecimento que deixou para seus alunos.
Infelizmente o antropólogo William Faulkner deixou uma análise sobre o assunto
"(...) é como se não importasse o que o sujeito faz, mas a forma como a maioria das pessoas o vê quando ele faz" (Obra Enquanto eu agonizo)
KAREM REGINA COSTA- ex aluna
Eu julgo importante a opinião que os outros (especialmente as pessoas que prezo) têm sobre mim. Somente não julgo importante saber tudo que os outros (os que prezo) pensam sobre mim.
"Eu julgo importante a opinião que os outros (especialmente as pessoas que prezo) têm sobre mim. Somente não julgo importante saber tudo que os outros (os que prezo) pensam sobre mim."
Só este comentário valeu por todo o post. Muito bom professor!
concordo, saber tudo, tudo mesmo, o que os outros pensam de mim com certeza nao seria uma coisa boa.. o problema è que eu julgo importante, alias importantissimo que eles pensam, entao è melhor nao saber...
"Tudo?? tudo mesmo?? nao vai, me diz sò a parte boa..." rs
abraço
Olá Aguinaldo,
Eu vou fazer um comentário bem "medíocre" sobre a opinião alheia,mas que talvez para determinados indivíduos, seja uma catástrofe não dar a detida atenção para algo que o próprio nome já responde quanto a sua irrelevância; afinal de contas, estamos tratando de uma opinião.
Neste âmbito percorremos um caminho que pode constantemente e facilmente mudar sua direção, não se trata de uma verdade absoluta (se é que existe alguma). Ok! Mas qual é a relevância disso? Primeiro, para uma natureza muito sensível a opinião alheia (negativa) pode se tornar uma calamidade, que poderia levar a fatores até importantes (angustia, depressão, deixar de fazer algo.....). Isto é, para alguns é um fator grave.
Seria uma total perda de tempo se preocupa com a imagem que os outros fazem de nós?
Claro que até certo ponto somos responsável pela impressão que causamos nas pessoas, todavia não podemos entrar na mente do outro e fazer com que a criatividade seja para nosso bem estar.
O fato é que, em determinadas situações a propaganda que o não-eu faz de mim pode afetar minhas "amizades" (depende do que a pessoa entende por este conceito), condutas e blá, blá blá.É, pois relevante para alguns meios sociais as idéias deturpadas que fazem de nós, o problema é que neste caso estamos jogados ao acaso, pois esta tarefa cabe ao outro (seja ele mesquinho, hipócrita.....).
Com relação a nossa análise da pessoa não é mais excitante o indeterminado do que simplesmente etiqueta-la? Vamos supor que atribuímos o titulo de alcoólatra para alguém, isto quer dizer então, que essa pessoa é completamente imoral e escrava de suas paixões? Ótimo! eu aconselharia uma leitura da Ética a Nicômaco.
Por fim, mesmo sendo a opinião alheia a principio insignificante não deixa de nos afetar e para piorar parece que estamos jogados ao destino, uma vez que, não há trabalho que façamos que vai impedir dos outros nos julgar e distribuir sua teoria para as mentes "brilhantes".
Interessante!
Não há dúvida que o olhar alheio me aliena, situando-me em um mundo de exigências e responsabilidades. Por isso ele é importante sim. Parece-me, no entanto, que a discussão está centrada sobre a seguinte questão: é ou não é "higiênico" saber o que amigos pensam. Se quero saber, sem rodeios, o que pensam sobre mim, encontro-me frente a uma necessidade: percebo, quando a crítica ou o elogio for exagerado, que tal julgamento não ressalta minhas sinceras intenções, o que me oferece a oportunidade de tentar ajustá-las para que se dissipe o mal entendido, aproximando-nos mais ainda, ou mesmo para que se assuma não ser mais possível tal relação. Trata-se, claro, de uma situação intensa e séria. Importante é, sem dúvida, que a transparência e o diálogo seja um valor norteador da amizade. Uma verdadeira amizade não pressupõe sempre concordância e harmonia, mas honra e confissão devem ser desejadas.
Vale lembrar que na relação amistosa nós nos configuramos com bem mais clareza e distinção.
Abraços,
Tiago.
Até o Nazareno se preocupou com o que os outros dizim dele: "Quem dizem os homens que é o Filho de Deus?"(Mt 16,13). Que dirá de nós? Conclusão: Mente, quem diz não se preocupar (pre-ocupar) com a visão que o outro alimenta, desenha de mim...
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