Gostei do filme A Rede Social. Mesmo que Mark Zuckerberg não seja exatamente o mesmo Mark Zuckerberg vivido por Jesse Eisenberg, a história do segundo é interessantíssima. Minha atenção foi capturada para a vida de uma pessoa mentalmente atrevida, ambiciosa, com inteligência supostamente muito acima da média dos filhos da Terra. A cena do encontro entre Mark Zuckerberg e Sean Parker é notável. O camaradinha Eduardo Saverin sofre terrivelmente com a presença de um ser superior. A presença de um terceiro (Sean Parker), o segundo grande, evidencia sua pequenez. Saverin acusa o golpe. Por que um grande e um pequeno (cobiçoso) podem conviver sem maiores problemas e a relação entre um pequeno (cobiçoso) e dois grandes tende a ser difícil (para o pequeno, claro)? Eu acho boa a hipótese do contraste comparativo. Se sou pequeno e vaidoso e estou perto de um grande, eu tenho a chance de não sobrar. Mas minha pequenez e vaidade oca ficam salientes se aparece um terceiro. Isto é, um terceiro que é um segundo grande com grandeza análoga ao primeiro grande. Eduardo Saverin é inferior. E aqui estou evidentemente me referindo à inferioridade natural, não à inferioridade moral. A propósito, sobre esse aspecto poderíamos dizer que Mark Zuckerberg é moralmente inferior ao brazuca Eduardo. Mark trapaceou (ao menos, moralmente ele deveria ter avisado sobre o conteúdo do que Eduardo assinou).
Sobre o suposto roubo da ideia de rede social dos irmãozinhos Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss e mais um outro camaradinha, não entendi bem. Qual foi precisamente a ideia que ele roubou? De todo modo, ele enrolou bem os irmãozinhos.
O sucesso de Mark, o alcance de uma riqueza fantástica aos 23 anos, não pode ser, de modo algum, reduzido ao seu questionável caráter moral. Quantos homens moralmente piores que ele são páginas em branco? Alguém poderia pensar: claro, claro, claro, o caráter (i)moral do criador do facebook não explica seu sucesso, mas seu sucesso não pode ser explicado sem seus atos imorais. Sim, obviamente isso é verdadeiro com respeito ao senhor Mark. Mas Mark não tem, aqui, importância nenhuma. Importância tem, a meu ver, o conceito ao qual ele nos remete. Refiro-me ao conceito de homem que está acima dos outros (não em termos morais, repito), de um homem que é brilhante, que logra êxito em seus projetos, que tem soberba, que sabe o seu valor. Seres assim são admiráveis. Admiráveis, admiráveis. E esse conceito não tem como condição necessária o mau caráter.
A educação como mercadoria
20 horas atrás

3 comentários:
O Facebook tem muito mais qualidade que o orkut, na minha opinião, gênio quem criou.
Professor, se for possivel a leitura do pensamento por meio eletronico, possivelmente vc poderá postar nas mais variadas redes sociais por pensamento. Então será diretamente do seu pensamento em impulsos eletricos para a tela do computador, estas postagens diretamente do pensamento seria difente das escritas de hoje? As teorias a respeito da moral, alterava-se?
att.
JULIO C.
Caro Julio.
Não entendi a tua pergunta. Será que você poderia explicar melhor o que você quis dizer?
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